O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) realizou um novo repasse no valor de R$ 50 milhões para a continuação das obras do Cinturão das Águas do Ceará (CAC). A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 12. Atualmente, a obra se encontra com 75% de conclusão, com o trecho emergencial já em funcionamento, garantido a ligação entre o Projeto de Integração do Rio São Francisco e o Açude Castanhão, principal reservatório do Ceará.
O trecho que ainda se encontra em obras é referente aos lotes 3 e 4, que vão ajudar na garantia hídrica da Região do Cariri, a segunda em densidade demográfica e em importância econômica do Estado. Juntos, os lotes possuem 92km de extensão. Em Brasília, o secretário dos Recursos Hídricos do Estado, Robério Monteiro, visitou o ministro do MIDR Valdez Góis para assegurar os recursos para a conclusão do CAC.
Conforme o Governo do Ceará, a obra visa estabelecer uma maior aproximação das águas do Projeto São Francisco aos municípios da bacia hidrográfica do Salgado, aumentando a disponibilidade hídrica para os múltiplos usos de toda a população da Região do Cariri. Outro benefício propiciado pelo CAC é o incremento da garantia hídrica para o abastecimento dos municípios da região do Alto Jaguaribe, por meio dos sistemas de adutores concebidos no Programa Malha d’Água.
Em março, o governador Elmano de Freitas (PT) esteve reunido, em Brasília, com representantes da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) para alinhar os próximos passos da fase 2 do Projeto Malha D’Água, que promete garantir a segurança hídrica de regiões cearenses historicamente afetadas pela escasses. O OPINIÃO CE apurou que foram debatidos o cronograma de execução do Trecho Quixadá-Quixeramobim, que vai beneficiar as sedes de Quixeramobim, Quixadá e distritos mais populosos dos dois municípios, assim como outros dois distritos de Banabuiú.
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O Malha D’água é composto por 34 etapas. Para a fase 2, envolvendo o Sertão de Quixeramobim, o cronograma ainda está na etapa inicial.
REGIÃO DO CARIRI
A nova etapa do Cinturão das Águas terá sua captação no final do Trecho I, em Crato ou Nova Olinda, e conduzirá a água tratada até cidades como Araripe, Campos Sales e Salitre, dentre outras que apresentam relevante vulnerabilidade hídrica. Atualmente, as obras estão com 46,48% (lote 03) e 29,12% (lote 04) de execução. Destaca-se o lote 03 como emergencial para a região, em razão da fraca recarga patrocinada nos aquíferos que alimentam os poços profundos na Região Metropolitana do Cariri. O lote 04, terá a mesma função emergencial, porém, com desague no Rio Cariús.
O objetivo é alimentar o açude Orós, segundo maior reservatório do Estado, garantindo segurança hídrica da região.
SITUAÇÃO HÍDRICA DO CEARÁ
As boas chuvas nesta quadra chuvosa no Ceará têm trazido uma situação mais tranquila quanto à recarga hídrica nos 157 açudes monitorados. No geral, três regiões estão acima de 95% das suas capacidades de armazenamento (Coreaú, Litoral, Baixo Jaguaribe). A região do Acaraú já ultrapassou 90% de armazenamento. Já a região hidrográfica do Banabuiú atingiu o percentual de 36%, superando o ano de 2013. No início da quadra chuvosa, a região registra pouco mais de 8% de recarga hídrica. Hoje existem sete açudes sangrando na região.
Além disso, os cinco maiores reservatórios do Estado também ganharam aportes importantes. O Araras, na Bacia do Acaraú, quarto maior, começou a sangrar nesta terça-feira, 11. O reservatório não vertia desde 6 de junho de 2020. O Orós [2º maior], tem 60,55% de recarga, tendo iniciado o ano com 43,66% de recarga. Já o maior açude do Ceará, o Castanhão, chegou a 29,6% de sua capacidade – em 1º de janeiro de 2023, eram 19,95%. A terceira maior barragem, o Banabuiú, registra 34,97%, que representa o melhor volume desde agosto de 2013.
O 5º maior reservatório do Ceará, o açude Figueiredo, em Alto Santo, tem 13,47% de abastecimento. Apesar de distante do ideal, é o melhor resultado desde o início de sua operação, em 2013.
