O retorno do fenômeno El Niño é esperado para maio deste ano e pode provocar mudanças significativas nos padrões de temperatura e chuva em diversas regiões do planeta. O alerta foi feito pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que aponta alta probabilidade de desenvolvimento do evento entre maio e julho.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico central e oriental, com duração média entre nove e 12 meses. O fenômeno tem impacto direto sobre o clima global e regional, influenciando regimes de chuva e temperatura.
No Brasil, os efeitos tendem a ser desiguais. Enquanto a Região Sul costuma registrar aumento das chuvas, áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos, com risco de estiagens mais prolongadas.
Temperaturas podem subir ainda mais
Além das alterações no regime de chuvas, o fenômeno também contribui para o aumento das temperaturas globais. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se aos efeitos do aquecimento global.
Segundo a OMM, mesmo eventos considerados moderados podem ter impactos mais fortes devido ao cenário atual de elevação das temperaturas no planeta.
De acordo com a organização, uma mudança significativa já foi identificada no Pacífico Equatorial, com elevação rápida da temperatura da superfície do mar. O cenário indica forte alinhamento dos modelos climáticos para o início do fenômeno.
O chefe de previsão climática da OMM, Wilfran Moufouma Okia, destacou que há alto nível de confiança na formação do El Niño nos próximos meses, com tendência de intensificação ao longo do ano.
O padrão climático também afeta outras regiões do mundo, podendo provocar mais chuvas no sul da América do Sul, no sul dos Estados Unidos, no Chifre da África e em partes da Ásia Central. Em contrapartida, pode causar seca em áreas como Austrália, Indonésia e sul da Ásia.
Apesar dos indicativos, a OMM ressalta que previsões mais precisas sobre a intensidade do fenômeno devem ser confirmadas após abril.
