João Munhoz Neto, namorado da estudante universitária Isabelle, foi indiciado pelos crimes de violência psicológica e obstrução de Justiça, após Polícia Civil do Ceará (PCCE) concluir inquérito. A investigação não responsabilizou o bacharel em Direito por induzimento ou instigação e auxílio ao suicídio da jovem de 22 anos.
João e Isabelle começaram a namorar cerca de dois meses antes da morte da jovem. Ela, universitária do curso de Direito, ingressou em um escritório onde João trabalhava após conseguir uma vaga de estágio.
Defesa de João
A defesa de João Munhoz Neto, representada pela advogada Lígia Peixe, se manifestou sobre o indiciamento e afirmou: “de modo algum houve qualquer obstrução de Justiça. Pelo contrário, nosso cliente sempre cooperou integralmente com as investigações”.
“João disponibilizou o telefone de seu irmão para a polícia e a perícia no dia do fato, tanto é verdade que foi por meio desse número que a polícia entrou em contato”, pontuou a advogada.
Lígia alegou que a acusação de violência psicológica é um “completo absurdo” e disse que João sempre tratou Isabelle com carinho e afeto: “Como um relacionamento tão breve, de apenas cerca de 30 dias, poderia ter gerado o quadro que estão alegando”?
Defesa acredita que há uma tentativa de transferir para João, problemas e questões que Isabelle muito provavelmente já vivia anteriormente e exigiu que se investigue também o histórico de vida da estudante, anos anteriores e se ela realmente enfrentava e participava de seus próprios conflitos pessoais e familiares.
“Afinal, é do João mesmo que ela está falando? A defesa confia plenamente na Justiça e provará a absoluta inocência de seu cliente”, destacou.
Violência psicológica
No dia em que morreu, Isabelle Caracristi relatou a um familiar que vivia um relacionamento abusivo com João Munhoz há aproximadamente dois meses, quando eles iniciaram o namoro. Ela disse ainda que o namorado tinha comportamentos agressivos e possessivos e que se sentia constantemente vigiada por ele.
Em depoimento à Polícia, Rudá Bezerra de Carvalho, dono do escritório de advocacia em que João e Isabelle trabalhavam, disse que ouviu da universitária que o namorado e então chefe direto não a deixava desempenhar funções profissionais sozinha. As informações foram repassadas ao Diário do Nordeste por Leandro Vasques, advogado de Rudá.
“Poucos dias depois, passou a manter relacionamento afetivo com João, homem mais velho e que ocupava posição de ascendência profissional. Em curto espaço de tempo, o investigado passou a participar intensamente de sua vida familiar, financeira, sexual e profissional, bem como a exigir acesso permanente à sua localização”, conforme documentos.
Prisão e soltura de João
A Justiça do Ceará determinou na última semana a soltura de João Munhoz Neto, de 34 anos. O bacharel em Direito, que era namorado da estudante de Isabelle Caracristi, foi preso no último dia 22 de setembro por suspeita de violência psicológica e induzimento ao suicídio da jovem de 22 anos, que se atirou do 23º andar de um prédio na Aldeota.
A decisão aconteceu após pedido da defesa de Munhoz Neto, que teve parecer favorável do Ministério Público do Ceará (MPCE).
Segundo o Poder Judiciário, “a decisão estabeleceu medidas cautelares, entre elas o distanciamento dos familiares da vítima, o monitoramento eletrônico e a proibição de se ausentar da comarca”.
Na época da captura, a advogada de João Munhoz disse que a prisão foi uma “resposta midiática”. Ele havia prestado depoimento sobre o caso na 1ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na noite anterior.
Na oitiva, João contou detalhes sobre o relacionamento com a universitária e negou ter cometido qualquer crime. João Munhoz não estava em casa no momento em que a namorada, conforme concluíram laudos produzidos pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce), se precipitou voluntariamente do terraço do prédio onde morava com o bacharel.
