Os sucessivos casos de arrombamentos registrados no Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal do Ceará (UFC), no Campus do Pici, têm gerado um clima crescente de insegurança entre alunos, professores e servidores.
Somente no mês de março, ao menos cinco ocorrências foram contabilizadas em diferentes pontos do centro, afetando diretamente atividades de ensino, pesquisa e extensão. Na última segunda-feira (30), os alunos realizaram uma manifestação pela manhã após o CCA ter sofrido outro arrombamento no mesmo dia.
Um dos casos mais graves ocorreu no Laboratório de Inovação em Alimentos e Tecnologia Sustentável (LabInova), localizado no bloco 852. De acordo com a Lucicléia, professora responsável pelo espaço, o local foi invadido no dia 3 de março após a grade de uma das janelas ser arrancada.

Os invasores também arrombaram portas internas e furtaram equipamentos essenciais, como misturadores, balança de precisão e seladora a vácuo, além de insumos e reagentes utilizados nas pesquisas.
Segundo a docente, o prejuízo vai além das perdas materiais. “A interrupção compromete a continuidade de pesquisas e o aprendizado prático dos estudantes, que participam ativamente dos projetos desenvolvidos no laboratório”, afirma.

Ela destaca ainda que a situação expõe a vulnerabilidade da segurança no campus e impacta diretamente a formação acadêmica de alunos da graduação e da pós-graduação.
A Polícia Federal foi acionada após o ocorrido e realizou perícia no local no dia seguinte, com atuação considerada técnica e eficiente pela professora. No entanto, a recorrência de casos semelhantes ao longo do mês reforça a percepção de fragilidade na segurança do CCA.
Sensação de insegurança
Relatos de estudantes indicam que os arrombamentos não se restringem ao LabInova. Há registros de invasões no Departamento de Engenharia de Alimentos (Dinter), no laboratório de frutos, na cantina, onde foram levados alimentos armazenados, e até no Núcleo de Desenvolvimento da Criança (NDC), que teve itens destinados à alimentação infantil furtados.
Para Letícia Alves, aluna do curso de Engenharia de Alimentos, a sensação de insegurança é constante desde sua entrada na universidade. “A gente percebe que não há segurança, principalmente à noite. Isso acaba facilitando a ação de pessoas que se aproveitam da falta de vigilância”, relata.

Ela também menciona que, em alguns casos, os invasores chegaram a deixar marcas de tentativa de arrombamento em portas de laboratórios.
A estudante avalia que a repetição dos crimes está diretamente ligada à ausência de medidas efetivas de segurança. Segundo ela, a localização do CCA, entre dois dos principais acessos ao campus, pode contribuir para a vulnerabilidade da área, especialmente durante a noite.
Manifestação e cobrança
Diante da sequência de ocorrências, alunos e membros da comunidade acadêmica têm se mobilizado para cobrar providências da universidade. A manifestação realizada na última segunda-feira (30) teve o objetivo de chamar atenção para o problema e exigir melhores condições de segurança no campus.
Entre as principais demandas estão o reforço na iluminação, ampliação do monitoramento por câmeras, manutenção da vegetação e aumento do efetivo de vigilância, especialmente em horários de menor circulação.

A reportagem entrou em contato com a Universidade Federal do Ceará para posicionamento sobre as medidas que estão sendo adotadas diante da situação, eles informaram que uma vistoria foi realizada na tarde desta terça-feira (31) na área do CCA, a fim de verificar questões de infraestrutura que serão objeto de intervenção.
Além disso, a Superintendência de Infraestrutura da Universidade Federal do Ceará se reuniu na última sexta-feira (27) com a diretoria do Centro de Ciências Agrárias (CCA) para discutir ações a fim de melhoria da infraestrutura e segurança do campus.
As ações previstas incluem manutenção de espaços, reparo de itens como janelas quebradas, colocação de grades em locais necessários, entre outras benfeitorias, visando atender às necessidades de infraestrutura e segurança da unidade, especialmente após ocorrências recentes.
