A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a retomada da produção na fábrica da Ypê, localizada em Amparo, no interior de São Paulo.
A decisão foi tomada após a conclusão de que a empresa corrigiu parte das falhas sanitárias identificadas em inspeções anteriores.
A medida permite que a Química Amparo, fabricante da marca, retome imediatamente as atividades na unidade industrial.
Uma nova fiscalização conduzida pela Anvisa, em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo, o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária de Amparo, resultou na liberação da fábrica.
O QUE MUDOU
De acordo com a agência reguladora, a empresa apresentou um plano para atender às 76 exigências sanitárias apontadas durante uma inspeção realizada em abril deste ano.
Entre as determinações estavam melhorias nos processos produtivos, rastreabilidade dos itens, controle de qualidade e monitoramento de possíveis riscos à saúde.
“Verificamos que esta fábrica da Ypê já reúne as condições necessárias para operar com segurança e disponibilizar produtos sem risco sanitário para a população brasileira”, afirmou, em nota, o presidente da Anvisa, Leandro Safatle.
Além disso, a Anvisa informou que continuará acompanhando a implementação das medidas corretivas adotadas pela empresa.
PRODUTOS LIBERADOS
Com a decisão, os produtos da Ypê fabricados a partir de 1º de abril deste ano poderão voltar a ser comercializados e utilizados normalmente.
Entre os itens autorizados estão lava-roupas líquidos, detergentes líquidos para louças e desinfetantes produzidos após essa data.
Mesmo com a retomada das atividades industriais, parte dos produtos da marca continua impedida de chegar ao mercado.
RESTRIÇÕES
A proibição permanece para todos os detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com lotes terminados em “1”, fabricados até 31 de março deste ano.
“Esses produtos devem permanecer armazenados em local seguro e não serem descartados. Sua liberação ocorrerá à medida em que a empresa apresentar laudos de laboratórios autorizados pela Anvisa”, diz a nota da agência reguladora.
A crise teve início em 7 de maio, quando a agência determinou a suspensão de mais de 100 lotes de produtos da Ypê após identificar falhas consideradas graves nos processos de fabricação da unidade de Amparo.
ENTENDA
Durante a fiscalização, foram encontradas 76 irregularidades sanitárias. O relatório também apontou risco de contaminação microbiológica nos produtos fabricados na planta industrial.
O episódio ganhou maior repercussão porque a empresa já havia registrado, em novembro de 2025, um caso de contaminação microbiológica envolvendo a bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da linha de lava-roupas.
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria comum no ambiente e pode ser encontrada na água, no solo e em locais úmidos. Em pessoas saudáveis, geralmente não provoca problemas mais graves.
RISCOS
Em pessoas com baixa imunidade, porém, o microrganismo pode causar infecções. Entre os grupos mais vulneráveis estão pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados, idosos e pessoas com doenças que comprometem o sistema imunológico.
Diante desse cenário, a Anvisa classificou as medidas adotadas como preventivas para evitar riscos à saúde da população.
Mesmo após a liberação da fábrica, o monitoramento da empresa continuará sendo realizado pela agência para verificar se todas as exigências serão mantidas de forma permanente.
A Anvisa também ressaltou que os produtos ainda suspensos somente poderão retornar ao mercado após a apresentação de novos testes laboratoriais autorizados pelo órgão.
Com informações da Agência Brasil.
