Rachado internamente, deputados do PDT voltaram a entrar em embate durante sessão na Assembleia Legislativa do Ceará nesta terça-feira, 5. O deputado estadual Romeu Aldigueri, líder do Governo Elmano na Casa, rebateu o seu correligionário Queiroz Filho (PDT) pelas críticas feitas à decisão do Governo do Estado de retirar o Mausoléu Castelo Branco do Palácio da Abolição, sede do Executivo estadual. Em sessão nesta terça, Aldigueri disse ser “de sangrar os olhos”, um pedetista “defender o indefensável”. “Se a gente entrar no Google e pesquisar ‘Castelo Branco’, aparece lá: primeiro presidente da Ditadura Brasileira”, disse.
“O seu primeiro ato foi a criação do Ato Institucional 2, que aboliu o pluripartidarismo. Aboliu as eleições diretas no Brasil e aboliu o direito dos deputados terem o seu mandato”, completou.
Queiroz Filho ressaltou, durante fala no Plenário, que o Estado está passando por dificuldades maiores do que a necessidade de mudar nomes das coisas. “Essa discussão, pra esse momento, desse revisionismo imposto, com tantas outras dificuldades que o Ceará passa. Tá tudo tranquilo em relação às facções [criminosas], né? As cirurgias, estão todas realizadas, todas feitas, né? Até parece”, ironizou o parlamentar. “Tem que mudar o nome do Castelão, da Avenida Leste Oeste, do bairro Presidente Vargas. A história não muda e a gente precisa compreender a história até para não repetir os erros cometidos no passado“, disse.
Apesar de correligionários, Aldigueri e Queiroz Filho fazem parte de alas opostas dentro do partido. Enquanto o líder do Executivo estadual na Casa Legislativa faz parte do lado que apoia o governador Elmano de Freitas (PT), Queiroz se encontra na ala ligada a Ciro Gomes (PDT) e André Figueiredo (PDT).
DIVERGÊNCIA ENTRE PARLAMENTARES
A decisão do governador de retirar o Mausoléu do Palácio da Abolição gerou uma série de posicionamentos de parlamentares na Casa. Renato Roseno (Psol) ressaltou a importância da retirada do equipamento. “Ninguém quer a derrubada do prédio, nós queremos a sua ressignificação, para que ele não siga como um elogio ao primeiro ditador do ciclo militar”, afirmou. Roseno disse que a decisão foi “corajosa, inovadora e pioneira”.
“Queremos que esse lugar, que, até agora, homenageia um torturador, sirva para que as novas gerações reconheçam a sua nova história, o que é fundamental”, salientou
O deputado Sargento Reginauro (União), da oposição, afirmou, por sua vez, que o governador Elmano “governa para a militância”. “O povo precisava ser questionado num momento como esse”, criticou o parlamentar. Já a deputada Dra. Silvana (PL), disse que Castelo Branco não será apagado da história. “O irmão do Castelo Branco ocupava um cargo público, e os funcionários da época resolveram fazer uma cota para dar um automóvel para o irmão dele. Castelo Branco chamou e disse que ele devolva, ‘na função que você está não é lícito que aceite esse presente'”, disse. “É esse tipo de homem que querem apagar da nossa história“, completou.
A líder do PL na Casa disse ainda que a Alece está vivendo um “período ditatorial“. “Foram recusados dois requerimentos do deputado Renato Roseno”. A Aldigueri, a parlamentar pediu que ele a respeite. “Peça um tempo extra para a vossa excelência, tenha respeito com quem está falando. É ridículo para um líder de governo que desrespeita dois requerimentos que foram recusados pela Casa”, afirmou.
APOIO À DECISÃO
Na terça-feira, 5, foi publicada uma carta-aberta em deseja da decisão de Elmano. “Abolição é liberdade, ditadura nunca mais!” foi organizada pela Coalizão Cearense em Defesa da Democracia. O texto conta com assinaturas de 52 duas entidades, de diversos setores; e 12 parlamentares, entre deputados e vereadores cearenses. A carta ainda é subscrita por mais de 200 pessoas, de áreas que vão do judiciário à academia. Entre eles, estão representantes da “Geração 68”, que foram perseguidos durante da Ditadura Militar, e da Comissão da Anistia.
“Não se faz uma justiça de transição, não se preserva a memória democrática com homenagem a ditaduras e ditadores”, diz o texto. O documento lembra que a ressignificação de “espaços de memória do período de horror é uma reivindicação histórica de movimentos por memória, verdade, justiça e reparação, com amparo expresso nas resoluções do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, instituída pela Lei n. 12.428/2011”.
