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Projeto para pulverização com drones divide governistas e gera bate-boca na Alece

Projeto que tramita em regime de urgência na Assembleia Legislativa do Ceará e prevê a autorização da pulverização de agrotóxicos por meio de drones no Estado tem movimentado os últimos dias de atuação parlamentar antes do recesso, que deve ser iniciado na sexta-feira (20). A matéria deverá ser votada nesta quinta-feira (19), conforme confirmou o presidente da Casa, Evandro Leitão (PT), ao OPINIÃO CE. O texto coloca em lados opostos parlamentares petistas, como Missias do MST, contrário à medida, e De Assis Diniz (PT), líder do maior bloco da Casa e que apoia a autorização, defendida pelo governador Elmano de Freitas (PT).

Sessão plenária desta quarta exemplifica as dificuldades encontradas para se chegar a um consenso. Autor da proposta, que conta com apoio da base governista, o deputado estadual Felipe Mota (União Brasil) criticou diretamente João Alfredo, superintendente do Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace), do governo estadual. Ele é um dos fortes críticos à flexibilização do uso de veneno para a agricultura. “Para com essa hipocrisia. Comece entregando seu cargo, já que você é contra a proposta do Governo. Entrega hoje, se você é homem”, disse, em tom acalorado, na tribuna.

“Agora, se tu não entregar, nós vamos entupir de trator em frente ao Idace, pra ver se tu aguenta”, afirmou.

Na manhã desta quarta, os movimentos em mobilização contra os agrotóxicos realizaram um ato na Assembleia Legislativa contrário ao projeto. Também na terça, diante da repercussão, membros do Ministério Público do Ceará (MPCE) visitaram a Alece epediram aos deputados que o projeto de lei que permite a pulverização por drones só sejam votados após um amplo debate com a sociedade.

Após a fala de Felipe Mota, parlamentares entraram em defesa de Alfredo. “Não preciso de o João Alfredo ter que deixar o cargo por ter uma visão que ele achar ser certa. Queria me solidarizar e dizer que precisamos respeitar as opiniões das pessoas, mas, sobretudo, o legado e a história desse grande camarada”, destacou Missias do MST.

O deputado Renato Roseno (Psol), que pediu vistas da matéria ainda na terça-feira, o que barrou a votação imediada do projeto, pediu ao governador Elmano de Freitas que retire o apoio da base governista à matéria. “Uma fala violenta, desrespeitosa e absolutamente sem sentido, porque ele estava prestes a aprovar o projeto. Governador [Elmano], retire esse projeto de pauta. Veja o que a fala do agronegócio representa, de fato. É ódio aos camponeses, à agroecologia”, disse.

O parlamentar pediu vistas por volta de 17h da sessão de terça-feira. O Regimento Interno determina que o projeto que tramita em urgência e que tem pedido de vistas só poderá ser pautado novamente após 24h.

Com informações de Felipe Barreto.