O professor e filósofo Paulo Cruz, anunciado por Renan Santos como futuro ministro da Educação em um eventual governo, defendeu o fim das cotas no ensino superior e mudanças nas regras relacionadas à disciplina nas escolas. As propostas foram apresentadas durante entrevista ao programa Educação em Debate, da TV Folha.
Cruz, que tem formação em processamento de dados, filosofia e mestrado em ciências da religião, representou o candidato do Missão na entrevista. Ele trabalhou por dez anos na rede pública de ensino e afirmou ser contrário às políticas de reserva de vagas por considerar que elas beneficiariam uma parcela específica dos estudantes da rede pública.
“Sou contra cotas porque sou professor do ensino básico”, afirmou.
Segundo Paulo Cruz, a prioridade deveria ser melhorar a qualidade da educação básica para que os alunos das escolas públicas concluam essa etapa em condições de disputar vagas em igualdade com estudantes da rede privada.
Questionado sobre os estudantes que já concluíram a educação básica sob o modelo atual, o representante afirmou que a retirada das cotas prevista no programa de Renan poderia ocorrer de maneira gradual.
Candidatura propõe mudanças na disciplina escolar
Outra frente das propostas apresentadas por Cruz envolve a indisciplina nas escolas. Na avaliação dele, a perda de autoridade e de ordem no ambiente escolar é um dos fatores que contribuem para os problemas enfrentados pelo sistema educacional.
Entre as medidas defendidas pela candidatura está a revisão de dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para permitir punições a estudantes considerados indisciplinados, incluindo a possibilidade de suspensão.
Para Cruz, a organização do ambiente escolar é uma condição necessária para o aprendizado. “Educação é atenção”, afirmou durante a entrevista, ao defender que a falta de ordem prejudica a concentração dos estudantes.
O professor também argumentou que a escola precisa manter uma distinção clara em relação ao ambiente externo. Segundo ele, o espaço escolar não pode deixar de estabelecer regras próprias de convivência e comportamento.
Proposta prevê ranking de escolas violentas
O programa de Renan Santos também prevê a criação de um ranking nacional das escolas consideradas mais violentas. A proposta inclui a possibilidade de direcionar recursos federais adicionais para unidades classificadas como mais organizadas e com menores índices de violência.
As ideias apresentadas na entrevista fazem parte das propostas da candidatura para a área da educação e incluem referências a políticas adotadas em outros locais, entre elas experiências desenvolvidas no Ceará e em El Salvador.
