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Damares rompe com equipe de Flávio após crise envolvendo Bolsonaro

Saída da senadora amplia desgaste na pré-campanha de Flávio Bolsonaro em meio a conflitos internos e posição neutra do Republicanos
Damares Alves afirmou ter sido alvo de diversos ataques nas redes sociais. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O afastamento da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) da equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de outubro, representa mais um capítulo da crise interna no campo da extrema-direita.

A parlamentar anunciou a decisão durante entrevista ao jornal O Globo. O desligamento foi comunicado após o presidenciável divulgar uma carta escrita pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ).

No documento, Flávio Bolsonaro afirma que o ex-presidente pede à base de apoio que deixe de lado as possíveis diferenças e fortaleça a candidatura do senador pelo Rio de Janeiro.

CRISE INTERNA

Entre aliados, a avaliação é de que o apelo por união tem relação direta com o rompimento entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o enteado.

A acusação de traição feita por Michelle a Flávio teve como origem a definição do palanque do PL no Ceará. No Estado, a extrema-direita anunciou apoio à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo.

Já Michelle Bolsonaro defende as pré-candidaturas de Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Estado e de Priscila Costa (PL) ao Senado.

Correligionários de Flávio Bolsonaro avaliam que a saída de Damares enfraquece a equipe responsável pela elaboração do plano de governo do pré-candidato.

ATAQUES

No início deste mês, Damares Alves afirmou ter sido alvo de diversos ataques nas redes sociais. De acordo com a senadora, as ofensas partiram de aliados de Jair Bolsonaro.

Segundo a parlamentar, parte das investidas teria sido articulada por Paulo Figueiredo. Ela afirmou que o influenciador de extrema-direita a chamou de militante feminista.

Enquanto isso, o Republicanos, partido ao qual Damares é filiada, divulgou nota oficial para negar apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

NOTA OFICIAL

No comunicado, a legenda também negou qualquer negociação para garantir que Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, fosse indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

A informação de que Marcos Pereira seria indicado ao STF, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, foi publicada no sábado pela Coluna Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Conforme a publicação, Marcos Pereira ocuparia a vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro Luiz Fux, prevista para 2028.

Sobre a relação entre Marcos Pereira e Flávio Bolsonaro, a nota do Republicanos informa que o último encontro entre os dois ocorreu há mais de um mês.

A legenda também ressalta que mantém posição neutra em relação à disputa presidencial. Apesar disso, o partido não descarta rejeitar apoio à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP).

“A decisão final dos rumos do Republicanos será tomada em convenção nacional em Brasília”, conclui o comunicado da sigla.