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Trump confirma conversa com Lula, confunde filhos de Bolsonaro e diz que Brasil é ‘politicamente difícil’

Declarações de Donald Trump sobre o Brasil durante a reunião do G7 ampliam o clima de tensão entre Washington e Brasília e ocorrem em meio às discussões sobre tarifas comerciais e relações bilaterais.
Donald Trump participou da cúpula do G7, na França, onde voltou a comentar a situação política do Brasil. Foto: Divulgação/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a citar o Brasil durante a cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, e fez críticas ao cenário político brasileiro, ampliando o clima de tensão diplomática entre os dois países. As declarações ocorreram enquanto líderes das maiores economias do mundo discutiam temas como comércio internacional, conflitos geopolíticos, inteligência artificial e segurança global.

O presidente dos EUA foi questionado sobre sua interação com Lula durante uma entrevista à imprensa. Trump disse apenas que conversou com o presidente brasileiro. “Sim, eu passei bastante tempo com ele, na verdade”, afirmou Trump, sem detalhar o conteúdo da conversa.

Trump também criticou a política brasileira. “Tornou-se um país um pouco complicado, politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente”. O presidente dos EUA prossegui comentando as eleições no Brasil e pareceu confundir os filhos de Bolsonaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro. “Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele”.

Logo após, Trump pareceu fazer um paralelo entre os processos eleitorais no Brasil e nos EUA. “Eles [Brasil] jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente roubadas”, disse.

A confusão de Trump entre os filhos de Bolsonaro ocorre um dia depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) por tentativa de interferir no julgamento do pai na trama golpista. Ele foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão.

Lula

A participação do presidente Lula (PT) no encontro ocorreu na condição de convidado do governo francês. Esta foi a décima participação de Lula em uma cúpula do G7, fórum que reúne Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão, além da União Europeia.

As falas de Trump acontecem em um momento de atritos entre Brasília e Washington. Nas últimas semanas, o governo brasileiro tem acompanhado com preocupação discussões envolvendo novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, tema que motivou especulações sobre um possível encontro entre Lula e Trump durante a cúpula.

Governo brasileiro evitou reunião formal

Antes do encontro, integrantes do governo brasileiro já haviam informado que não havia pedido formal para uma reunião bilateral entre Lula e Trump durante o G7. A avaliação do Palácio do Planalto era de que um eventual contato ocorreria apenas de forma informal, sem previsão de negociações estruturadas.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a agenda brasileira no G7 esteve concentrada em temas como desenvolvimento sustentável, reforma da governança global, inteligência artificial e cooperação internacional.

Clima político antecede eleições de 2026

As declarações de Trump também repercutem no cenário político brasileiro, uma vez que Lula participará das eleições presidenciais de 2026 como principal liderança do campo governista, enquanto setores da direita brasileira mantêm proximidade política com o presidente norte-americano.

A fala do republicano ocorre em meio ao fortalecimento das articulações internacionais e à crescente polarização política entre grupos alinhados ao governo Lula e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.