O vereador de Fortaleza, Inspetor Alberto (PL), afirmou que o senador Camilo Santana (PT) foi “o melhor governador do Estado”. O parlamentar, bolsonarista, participava de interrogatório sobre o caso em que foi condenado pelo crime de calúnia contra o ex-governador. A fala do legislador consta em acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), assinado pela desembargadora Vanja Fonteneles Pontes. O Opinião CE apurou que a fala ocorreu no dia 4 de abril de 2025.
Durante a sua fala, o bolsonarista lembra que Camilo fez um acordo para a Polícia Civil (PCCE) que “nenhum outro governador do Estado fez”. Profissional da corporação, ele destacou que seu salário era de R$ 5.800 e subiu para R$ 12.300 durante o mandato do petista.
“Para mim, pessoal meu, o melhor governador do Estado que teve aqui foi o Camilo Santana, porque ele olhou para nós da Polícia Civil, e eu que já vinha da Polícia Civil desde 86. Eu digo lá na Câmara, para todo mundo, melhor governador que teve aqui para a Polícia Civil”, disse.
Alberto afirmou também que “jamais” teve a intenção de prejudicar Camilo.
Para o pleito deste ano, o PL, presidido no Ceará pelo deputado federal André Fernandes, pretende apoiar uma chapa liderada pelo ex-ministro Ciro Gomes (PSDB). O tucano, aliás, tem proferido ataques contra Camilo, inclusive já o tendo acusado de chefiar organização criminosa.
O senador, por outro lado, apoia a tentativa de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).
Confira o vídeo:
Pronunciamento do vereador no acórdão
O pronunciamento de Inspetor Alberto consta no acórdão do processo. Assinado pela desembargadora Vanja Fonteneles Pontes, o documento aponta que, em seu interrogatório, apesar de o vereador “reconhecer o peso da repercussão de seus vídeos”, ele “tece elogios” a Camilo como “o melhor governador para a Polícia Civil”.
“Paradoxalmente, enfraquece a narrativa de que seria apenas crítica ideológica à gestão. Há forte componente de autopromoção política e de capitalização de pauta anticorrupção, ainda que sem respaldo fático, o que torna os motivos respeitáveis? Não: mais reprováveis, por instrumentalizar a honra alheia em benefício próprio”, aponta a desembargadora.
O legislador foi condenado a dois anos de detenção e 39 dias-multa, além do pagamento de pelo menos R$ 15 mil em danos morais, por ter publicado um vídeo em que atribui ao senador a prática de corrupção, caixa dois e recebimento de propina.
O vídeo pelo qual Alberto foi condenado foi publicado no dia 30 de junho de 2022, em que ele, por meio da rede social Facebook, afirma que ainda veria Camilo Santana “preso e algemado”.
Na ocasião, ele insinua que Camilo teria participação em um esquema de corrupção ou recebimento de propina.
Conforme a desembargadora, o caso não se trata de uma “mera insinuação vaga ou juízo moral genérico”. “A peça acusatória delimita, com clareza, que o fato imputado, em tese, subsome-se ao tipo de corrupção passiva ou, ao menos, de caixa dois eleitoral, ambos crimes definidos em lei”, destacou.
