O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), indeferiu pedidos de leitura de requerimentos para a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. A situação ocorreu nesta quinta-feira (21), no início da sessão convocada pelo Congresso para a análise de vetos à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que restringem a transferência de recursos federais para municípios considerados inadimplentes.
Vários deputados e senadores da base governista e da oposição pediram a Alcolumbre que lesse os requerimentos, solicitação indeferida pelo chefe do Legislativo. Ao negar, ele afirmou que o momento de leitura de requerimentos é um ato discricionário da Presidência.
“Requerimentos de leituras de matérias devem ser objeto de despacho da presidência. Portanto, o momento da leitura é um ato discricionário [uma escolha] da presidência da mesa do Congresso Nacional”, afirmou.
Conforme o senador, a votação dos vetos da LDO seria prioritária porque beneficia municípios pequenos. A sessão do Congresso foi convocada para a análise dos vetos.
Os legisladores se manifestaram a favor da instalação de CPMI para investigar as suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco de Daniel Vorcaro, preso desde março pela Polícia Federal (PF).
Um dos parlamentares que subiu à tribuna para defender a instalação da comissão foi o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foi revelado, nas últimas semanas, que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o seu pai Jair Bolsonaro (PL).
O senador também chegou a visitar o banqueiro enquanto Vorcaro usava tornozeleira eletrônica.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) foi outro que defendeu a instalação. O petista afirmou que Alcolumbre não conseguirá segurar a CPMI do Master. “Trago aqui decisões que também foram apresentadas: Ministro Roberto Barroso, em 14 de abril de 2021, obrigando a leitura pela Presidência do Congresso de uma CPI, de uma CPMI. Antes, lá atrás também, Ministro Celso de Mello, em 25 de abril de 2007”, destacou.
“Mas me permita dizer a vossa excelência uma coisa: vossa excelência não vai conseguir ficar sentado em cima dessa CPI”, concluiu Lindbergh.
