A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados vai retomar, nesta terça-feira (19), o debate sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), caso seja acolhida e aprovada no colegiado, ainda precisará ser discutida por uma comissão especial antes de ser levada ao Plenário.
Na última quarta-feira (13), a CCJ realizou audiência pública sobre o tema. Na ocasião, o relator da proposta, deputado Coronel Assis (PL-MT), citou uma pesquisa recente que aponta que 90% dos brasileiros defendem a redução da maioridade penal. Para o parlamentar, é preciso “dar uma resposta ao clamor social”. Ele argumenta, ainda, que a Constituição permite a mudança.
“O caminho mais técnico e equilibrado é manter a regra geral de inimputabilidade até os 18 anos e criar uma exceção para jovens de 16 e 17 anos em crimes de extrema gravidade”, defendeu o legislador.
Na proposta, Coronel Assis prevê ainda a manutenção de garantias para os jovens, como o cumprimento de penas em unidades separadas dos adultos, procedimentos processuais específicos e a proibição de penas cruéis.
Já o advogado e membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ariel de Castro Alves, defende que a proposta é “oportunista e demagógica”, com fins eleitoreiros às vésperas do pleito deste ano.
“Os parlamentares sabem sobre a inconstitucionalidade da proposta, baseada na supressão de direitos fundamentais dos adolescentes de responderem por seus atos com base no ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente], e não pelo Código Penal”, disse, ao citar que o critério de maioridade penal aos 18 anos é adotado por muitas nações.
“Reduzir a idade penal seria como reconhecer a incapacidade do Estado em educar e incluir socialmente seus adolescentes. Quando o Estado, a sociedade e as famílias excluem, o crime acaba incluindo”, completou, ao classificar a proposta como ilusória e com o objetivo de ludibriar a opinião pública.
