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Sérgio Aguiar defende voto distrital misto: “A maior riqueza é fortalecer quem vai representar sua região”

Em participação no programa Roberto Moreira Entrevista, o deputado reforçou o nome do governador Elmano de Freitas, como representante do projeto político que lidera o Ceará há quase 20 anos.
Senador Cid Gomes participa da inauguração do comitê de Sérgio Aguiar em Fortaleza nesta segunda-feira (24). Foto: Junior Pio/Alece

O deputado estadual Sérgio Aguiar (PSB), que está no seu quinto mandato na Assembleia Legislativa do Estado (Alece), foi o convidado do programa Roberto Moreira Entrevista, do Opinião CE, que foi ao ar no último dia 16 de abril. A conversa abordou temas, como reforma do sistema eleitoral, ampliação das representações regionais no parlamento e as eleições de 2026. Você pode assistir clicando AQUI.

Sérgio Aguiar representa a terceira geração de uma família importante da política cearense. Ele é neto de Murilo Aguiar, deputado estadual constituinte de 1947, e filho de Francisco Aguiar, que presidiu a Alece e governou o Ceará entre o fim de 1994 e o início de 1995. Um legado que ele tem orgulho de representar.

“Eu sou fruto da política partidária. Temos sempre procurado fazer o melhor para continuar essa história. Eu, ao chegar em qualquer lugar, costumo me apresentar, colocar minhas origens”, reforça o parlamentar.

Sua trajetória na vida pública começou aos 20 anos, quando foi eleito vereador de Camocim, em 1992, obtendo a maior votação, o que o credenciou a ser eleito presidente da Câmara Municipal para o biênio entre 1993 e 1994.

Na eleição municipal seguinte, em 1996, foi eleito prefeito de Camocim, sendo reeleito em 2000. Foi, ainda, chefe da Assessoria Parlamentar de Gabinete do então ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, em 2005, época da elaboração dos estudos do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF).

Em 2006, Sérgio Aguiar disputou pelo PSB, pela primeira vez, cadeira na Assembleia Legislativa, sendo o 14º mais votado no Estado do Ceará com 47.607 votos. Foi reeleito outras quatro vezes. Na última, em 2022, recebeu 97.522 votos, o segundo mais votado do PDT e o quinto na votação geral.

Advogado, administrador e economista, Sérgio Aguiar ainda é mestre em Gestão Pública e Modernização Administrativa pela Universidade Internacional de Lisboa. Também conseguiu a marca importante de ser o primeiro e único cearense a presidir a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale).

Reforma política

Com essa importante experiência legislativa, o deputado defende uma mudança profunda na política brasileira. “Desde 1988, o Brasil foi voltado para um semipresidencialismo. Hoje a gente vê, até de forma deturpada, o Congresso Executando, o Judiciário legislando e o Executivo só cumprindo”, disse na entrevista ao jornalista Roberto Moreira.

Uma das ideias que sustenta é o mandato único para o Executivo, sem reeleição de cinco anos, além de eleições gerais no mesmo período para todas as cadeiras, de vereador a presidente da República.

Porém, sua principal defesa vem da ampliação da representação regional a partir do parlamento, como a proposta de um sistema de votação distrital misto. Por exemplo, as 46 cadeiras da Alece seriam disputadas com seguinte divisão: 23 para os representantes distritais e 23 para a disputa dos partidos.

“Para que os partidos não percam sua importância na democracia, no sistema republicano, eles elegeriam, através de uma lista, as representações partidárias. Seria mais rico, os debates mais profícuos. A maior riqueza é a comunidade local fortalecer aquele que vai representar sua região”, acredita Sérgio Aguiar.

O parlamentar enumera que cerca de 95% de sua votação é oriunda da zona norte do Estado, que inclui as regiões do Litoral Norte, Litoral Oeste, Serra da Ibiapaba e a macrorregião de Sobral. “Obviamente, eu conheço melhor os problemas e peço com mais veemência a afirmação de obras para ajudar por lá”, exemplifica.

Cid Gomes

Sérgio Aguiar compôs o grupo de deputados estaduais e federais que deixaram o PDT, em 2024, rumo ao PSB, sob liderança de Cid Gomes, figura que fez questão de ressaltar na entrevista.

“O ex-deputado Eudoro Santana é nosso presidente, mas é inegável a liderança de Cid Gomes e o papel que teve agora nos últimos 30 dias de articulação, debate, conversa, persuasão. Ele sensibilizou homens e mulheres bons, que colocarão seus nomes para a representação no mês de outubro”, destacou.

Eleições 2026

O parlamentar reforçou que o governador Elmano de Freitas (PT) é o nome que vai representar a continuidade do projeto político dos últimos 20 anos, que foi iniciado por Cid Gomes. “Fazemos parte de um projeto que trouxe acertos na educação, na saúde, no desenvolvimento econômico, na geração de emprego. Temos compromisso com o governador Elmano de Freitas”.

Ele enxerga ainda que um novo governo de Elmano será ainda melhor. “O Governo está mais maduro, vai produzir mais. Tanto é que [2026] está sendo um ano de entregas”, completou.

O xadrez político, sugere Aguiar, está mais próximo de chegar ao fim, especialmente com a decisão do deputado federal José Guimarães de assumir o cargo de ministro da Secretaria de Relações Institucionais e renunciar à sua pré-candidatura ao Senado Federal.

“[A saída de Guimarães] conseguiu equacionar aquilo que deve ser chapa majoritária. Eu continuo defendendo Cid Gomes como candidato e apoiaremos o outro senador que fará parte desse conjunto, mas a reeleição de Elmano é nosso maior compromisso”, lembrou.

Por fim, Sérgio Aguiar ponderou que é necessário aguardar as movimentações da oposição para bater o martelo sobre os nomes da chapa majoritária. “O time que está ganhando tem que esperar o que vem de lá para saber como enfrentá-lo, até para colocar a melhor equipe nas melhores posições”, comparou.

Sobre Ciro Gomes, acredita que é um adversário forte, mas ainda não tem certeza se manterá sua candidatura ao Palácio da Abolição. “O Ciro é um grande nome. Isso é inegável. Embora com resultados adversos, sempre houve o conceito de que ele fosse o candidato mais preparado à Presidência da República. Isso é inegável. No Ceará, é uma nova forma. Vamos esperar. Ainda tem muita água vai passar por debaixo da ponte”, concluiu.