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José Guimarães cobra explicações do Senado Federal após rejeição de Messias ao STF

Líder do Governo cobra explicações após derrota histórica de indicação de Lula no Senado
Ministro acusou senador de atuar em favor dos interesses norte-americanos no Brasil. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), afirmou que cabe ao Senado Federal do Brasil explicar os motivos da rejeição ao nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração foi dada logo após a votação que rejeitou a indicação de Messias nesta quarta-feira (29). Para Guimarães, o nome enviado pelo Executivo atendia a todos os critérios constitucionais. “Cabe ao Senado explicar as razões dessa desaprovação”, afirmou o ministro, destacando que o governo recebeu o resultado “com serenidade”.

A rejeição representa um episódio histórico: é a primeira vez, desde 1894, que o Senado recusa uma indicação presidencial ao STF. Na votação secreta, 42 senadores votaram contra, 34 a favor e houve uma abstenção. Para aprovação, eram necessários pelo menos 41 votos favoráveis.

Com a decisão, a indicação foi arquivada, e o presidente da República deverá encaminhar um novo nome para a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria.

Divergência entre comissão e plenário

Antes da votação em plenário, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal (CCJ) havia aprovado o nome de Jorge Messias por 16 votos a 11. Durante a sabatina, o indicado destacou posições conservadoras em temas como aborto e fez críticas a decisões monocráticas no STF.

Apesar do aval na comissão, o resultado no plenário contrariou a expectativa do Governo Federal, consolidando uma derrota política relevante para o Palácio do Planalto.

Aliados de Lula avaliam acionar STF

Na avaliação de Guimarães, Messias é “um dos quadros mais qualificados do ambiente jurídico do Brasil” e apresentou desempenho consistente durante a sabatina. O ministro reiterou que a indicação cumpria os requisitos constitucionais e regimentais exigidos.

Apesar do discurso público do Governo Federal e do próprio Jorge Messias de aceitação da derrota no Senado, aliados do ministro da AGU e do presidente articulam uma possível reação no STF após a rejeição da indicação. A estratégia é defendida pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, formado por juristas de perfil progressista e crítico à Lava Jato. Próximo de Messias e de Lula, o advogado afirmou que já iniciou a mobilização para avaliar os desdobramentos jurídicos do caso.

Em conversa com a coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, nesta quinta-feira (30), Carvalho declarou que está reunindo juristas e dirigentes partidários para analisar a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), durante o processo de votação.

Segundo Marco Aurélio, há indícios de possível “desvio de finalidade” na condução da análise da indicação de Messias para o STF. O advogado argumenta que o presidente do Senado teria atuado de forma inadequada ao longo da tramitação. Conforme ele, um grupo de juristas está se reunindo para avaliar a conduta de Alcolumbre, que, conforme a avaliação, “funciona como uma espécie de juiz”.

A análise do grupo é de que o procedimento adotado pode ter comprometido o direito de defesa do indicado durante a sabatina e votação no Senado.

Possível ação no Supremo

De acordo com Carvalho, o grupo deve estudar alternativas jurídicas e apresentar sugestões ao presidente Lula, que decidirá se ingressa ou não com uma ação no STF questionando o resultado da votação. O advogado ressalta que a intenção não é obrigar o Senado a aprovar indicações presidenciais, mas discutir os limites institucionais entre os poderes.

Marco Aurélio defende ainda que Lula mantenha a indicação de Jorge Messias para o STF, mesmo após a rejeição no Senado. A possibilidade, no entanto, dependerá de avaliação política e jurídica por parte do Governo Federal.