O presidente Lula (PT) participou, nesta segunda-feira (20), do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em Hanôver, no país europeu. Na ocasião, o chefe de Estado criticou o regulamento ambiental da União Europeia (UE) e lembrou do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), que entrou em fase de transição em janeiro deste ano e que, segundo ele, é “unilateral” e prejudicial aos produtos brasileiros.
Do inglês Carbon Border Adjustment Mechanism, a medida aplica um custo sobre o carbono emitido na produção de bens importados para o bloco europeu, com o objetivo de fazer com que os esforços de descarbonização dos países “não sejam anulados” com a produção de países com regras menos rigorosas.
Conforme o Governo brasileiro, no entanto, o mecanismo não leva em consideração a matriz energética renovável do País, o que penaliza produtos de baixo carbono produzidos no Brasil.
“Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa ao consumidor europeu em momento crítico. A elevação de padrões ambientais é necessária, mas não é correto adotar critérios que ignorem outras realidades e prejudiquem os produtores brasileiros”, disse Lula.
O petista apontou, em sua fala, que o Brasil está disposto a “deixar de ser um país em vias de desenvolvimento” e “se tornar um país desenvolvido”. “E não jogaremos fora as oportunidades da transição energética que estão colocadas para o mundo”.
O presidente utilizou o etanol brasileiro como exemplo. “De cana-de-açúcar, produz mais energia por hectare plantado, tem uma das menores pegadas de carbono do mundo e reduz emissões de até 90% em relação à gasolina”, afirmou. Ele lembrou que, enquanto a UE espera chegar a 50% de renováveis em sua matriz até 2050, o Brasil já cumpriu essa meta em 2025.
“Quem quiser produzir com energia mais barata e com energia verdadeiramente limpa, procure o Brasil, que nós temos espaço e oportunidade para quem quiser apostar no futuro”, concluiu, direcionando a fala a investidores.
Em sua fala, Lula destacou ainda que o transporte figura atualmente como um dos principais gargalos de descarbonização da Europa e que, com o bloco revisando o seu regulamento sobre biocombustíveis, “estão na mesa” propostas que “ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasileiro”, segundo ele.
