Mais da metade dos donos de micro e pequenas empresas e dos microempreendedores individuais (MEI) avalia que o possível fim da escala de trabalho 6×1 – seis dias de trabalho para um de descanso – não deve impactar seus negócios. É o que revela a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae.
O tema está em debate no Congresso Nacional e representa uma das principais apostas do governo Lula para o segundo semestre. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), também já elegeu o tema como a principal bandeira na reta final antes do início do processo eleitorial deste ano. O tema avança por quatro frentes simultâneas, com propostas que seguem caminhos distintos.
De acordo com o levantamento, 51% dos entrevistados consideram que a mudança não terá efeito sobre suas atividades – índice superior ao registrado em 2024, quando 47% tinham essa percepção.
Na outra ponta, houve redução entre os que veem a medida como prejudicial. Em 2024, esse grupo representava 32% dos entrevistados; agora, caiu para 27%. Já os que enxergam impacto positivo apresentaram leve crescimento, passando de 9% para 11% no período analisado.
Setores mais otimistas
O estudo também detalha a percepção por segmento econômico. A Economia Criativa lidera entre os setores com maior expectativa de impacto positivo, com 24% dos entrevistados. Em seguida aparecem Logística e Transporte (17%) e a Indústria Alimentícia (16%).
A pesquisa indica ainda que o tema está amplamente difundido entre os empreendedores: 87% afirmaram estar informados sobre a proposta de alteração na jornada de trabalho.
A 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios foi realizada por meio de formulário on-line, entre 19 de fevereiro e 18 de março de 2026, com 8.273 participantes em todos os estados e no Distrito Federal. Do total, 53% são MEIs, 40% microempresas (ME) e 7% empresas de pequeno porte (EPP).
Debate em alta no País
O fim da escala 6×1 é tema em discussão no Congresso Nacional e impacta diretamente os pequenos negócios, responsáveis por cerca de 80% do saldo de empregos no Brasil desde 2023.
Edições anteriores da pesquisa já indicavam tendência semelhante. No levantamento realizado entre novembro e dezembro de 2024, cerca de um terço dos empreendedores (32%) avaliava a medida como prejudicial, especialmente em setores como academias, logística, beleza e economia criativa – muitos dos quais já sinalizavam baixa expectativa de impactos negativos.
Dois textos avançaram nos últimos dias na Câmara dos Deputados. Na quinta-feira (15), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) emitiu um parecer favorável à tramitação da PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e da proposta apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), no mesmo sentido. A votação, no entanto, foi adiada após um pedido de vista da oposição. Na prática, isso empurrou a decisão final da comissão para os próximos dias.
Na última semana, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que há uma vontade política para aprovar a medida. Ele reforçou que é preciso responsabilidade, mas que não adianta ficar contra a matéria apenas por ficar contra.
“Não há compromisso em retardar essa medida, que vai trazer avanços para o País. Quem acha que a Câmara vai segurar a discussão e a votação da matéria está equivocado”, afirmou em entrevista ao SBT News.
Ao mesmo tempo, o Governo Federal decidiu enviar ao Congresso um projeto de lei, com urgência constitucional, que também prevê o fim da escala 6×1.
Já no Senado, a discussão está mais avançada. A PEC 148/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovada pela CCJ em dezembro de 2025 e, agora, aguarda análise do plenário. É o texto mais adiantado do ponto de vista legislativo.
