A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação dos ex-governadores Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Cláudio Castro, do Rio de Janeiro. A decisão amplia o escopo das investigações conduzidas pelo colegiado.
A iniciativa atende a requerimentos apresentados durante os trabalhos da comissão. O foco recai sobre possíveis relações entre agentes públicos, instituições financeiras e empresas investigadas.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do pedido de convocação de Ibaneis Rocha, classificou o depoimento como essencial para o avanço das apurações. A fala destaca a necessidade de esclarecimentos detalhados sobre as suspeitas.
Investigação
A análise da CPI envolve relações comerciais entre o escritório de advocacia ligado a Ibaneis e entidades investigadas pela Polícia Federal (PF). O objetivo inclui compreender critérios adotados em decisões de governo relacionadas a negociações bancárias.
O processo também examina tratativas entre os bancos de Brasília (BRB) e o Master. As operações financeiras chamaram a atenção dos parlamentares.
Informações preliminares apontam contratos milionários entre o escritório fundado por Ibaneis Rocha e entidades ligadas ao Grupo Reag Investimentos. Investigações federais já alcançam o grupo citado.
Contratos
Transferências financeiras consideradas atípicas do Grupo J&F também entraram no radar da comissão. A apuração busca compreender a origem e a finalidade desses repasses.
Segundo Alessandro Vieira, o ex-governador teria agido pessoalmente para aprovar a aquisição do Banco Master pelo banco público do Distrito Federal. A declaração integra a justificativa para a convocação.
Registros apontam que a instituição financeira já havia vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos questionados. A CPI pretende aprofundar a análise dessas operações durante os depoimentos.
“O depoimento do ex-governador fluminense proporcionará à CPI um panorama macroestratégico inestimável, permitindo investigar as falhas e os gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado, bem como a capilaridade da infiltração de criminosos no aparato estatal”, disse Alessandro Vieira sobre o depoimento de Cláudio Castro.
Segundo o senador sergipano, já há algum tempo o Rio de Janeiro tornou-se o laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no País.
“Nos últimos anos, observou-se uma mutação alarmante nesse cenário: a outrora nítida divisão entre facções ligadas ao narcotráfico e grupos milicianos formados por agentes e ex-agentes de segurança pública deu lugar a uma simbiose criminosa, frequentemente denominada narcomilícia. É neste ponto nevrálgico que a oitiva do senhor Cláudio Castro, na condição de ex-governador do estado, revela-se não apenas pertinente, mas absolutamente indispensável para o avanço dos trabalhos desta comissão”, sustenta Alessandro Vieira.
Ausências
Os integrantes da CPI decidiram convocar Cláudio Castro e Ibaneis Rocha após os ex-governadores não atenderem aos convites da comissão. Mesmo motivo pelo qual o colegiado aprovou uma nova convocação para ouvir Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e janeiro de 2025.
A reconvocação também foi proposta por Alessanxdro Vieira, depois que Campos Neto informou que não poderia comparecer à reunião da CPI desta terça-feira.
“A presente convocação [de Campos Neto] não lhe atribui a priori qualquer responsabilidade pelos fatos objeto desta investigação”, destacou Vieira ao requerer que o ex-presidente do Banco Central seja convocado na condição de testemunha qualificada. “Os procedimentos, os instrumentos e as práticas institucionais do Banco Central podem contribuir de forma relevante para os trabalhos da comissão”, salientou Alessandro Vieira.
Além de outras convocações, como a do ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central (BC), Renato Dias de Brito Gomes, os senadores aprovaram pedidos de quebra de sigilo de pessoas físicas e jurídicas já anteriormente analisados, atendendo às novas exigências do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com informações da Agência Brasil.
