A Procuradoria-Geral do Estado do Ceará (PGE) vai processar o ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil) pela publicação de um vídeo nas redes sociais que utiliza inteligência artificial para recriar a imagem do governador Elmano de Freitas (PT).
A informação foi confirmada, com exclusividade ao Opinião CE, pelo secretário-chefe da Casa Civil, Chagas Vieira, nesta terça-feira (3).
“Lamento profundamente que algumas pessoas que estão na política usem de artifícios, usem de fakes, usem de inteligência artificial para distorcer fatos, para tentar manchar os nomes das pessoas, para desfazer verdades. Infelizmente, isso tem sido uma prática comum”, afirmou.
Segundo ele, o caso específico envolvendo Capitão Wagner já está sendo judicializado. “É um grupo que realmente tem se especializado em mentir nas redes sociais e, nesse caso específico, feito pelo Capitão Wagner, ele está sendo acionado juridicamente pela Procuradoria-Geral do Estado”, acrescentou.
Vídeo usa deepfake e não informa que se trata de simulação
Publicado por Wagner no último sábado (28), o vídeo mostra Elmano saindo do Palácio da Abolição e entrando em um veículo oficial. Em seguida, uma imagem gerada por inteligência artificial apresenta o governador ao lado de Bebeto do Choró, prefeito eleito de Choró em 2024 e considerado foragido da Justiça. A peça termina com a chegada do próprio Wagner, simulando a prisão de Bebeto.
O material traz apenas a legenda “O Fantasma do Abolição” e não informa que as imagens se tratam de simulação.
O recurso utilizado é conhecido como deepfake, técnica que emprega sistemas de inteligência artificial para recriar, com alto grau de realismo, rosto, expressões e movimentos de uma pessoa real em situações que não ocorreram. A tecnologia, por si só, não é ilícita. O debate jurídico surge quando o uso ultrapassa o campo da crítica política e passa a atribuir fatos inexistentes a uma pessoa real, podendo induzir o público ao erro.
Na prática, o deepfake combina bases de dados audiovisuais com algoritmos de aprendizado de máquina, permitindo a produção de vídeos verossímeis que simulam encontros, declarações ou contextos que nunca existiram.
“Oposição torce para que dê errado”, diz secretário
Em entrevista ao programa Roberto Moreira Entrevista, o secretário Chagas Vieira também criticou a postura da oposição em relação aos índices de violência no Estado.
Segundo ele, mesmo com a redução nos indicadores – com fevereiro registrando o menor número de homicídios dos últimos 17 anos – não houve manifestações públicas de reconhecimento ao trabalho das forças de segurança.
“Se tivessem aumentado [os índices], teriam colocado o colete fake, uma arma na cintura, para dizer que não estava acontecendo”, afirmou. Para o secretário, parte da oposição “torce para que as coisas deem errado”.
Chagas também comparou o cenário do Ceará com outros estados. Ele citou que, em São Paulo e Goiás, quando há redução nos índices de violência, o mérito é atribuído aos governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ronaldo Caiado (União Brasil), respectivamente. No Ceará, segundo ele, adversários políticos associam a queda nos números a supostos acordos entre facções.
“Os policiais saem de casa, não sabem se voltam. Quando chegam ao fim do mês, veem o seu esforço ser recompensado com a redução da violência, e vem alguém dizer que ocorreu por conta de acordo das facções”, declarou.
“Não há território dominado”
O secretário reforçou que o Estado mantém controle sobre todo o território cearense e negou que haja áreas dominadas por facções criminosas.
“O Estado jamais pode aceitar que os criminosos se sobreponham ao Estado de Direito. Quem tem que prevalecer é a polícia”, disse.
A declaração segue posicionamento já defendido pelo governador Elmano de Freitas em coletiva realizada em janeiro, quando afirmou que o Estado não perdeu o controle de nenhuma área do Ceará e que as forças de segurança têm acesso a todos os bairros e territórios.
