O presidente Lula (PT) retorna a Belém (PA) nesta quarta-feira (19) para participar da reta final da COP30, em um momento decisivo das negociações climáticas. A volta do presidente ocorre em meio a impasses entre delegações e à entrada em cena de ministros estrangeiros com mandato direto de seus chefes de Estado para destravar os pontos mais sensíveis da conferência.
A informação foi confirmada no domingo (16) pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), que leu um discurso enviado por Lula durante o encerramento da Cúpula dos Povos. Na mensagem, o presidente detalha sua agenda na capital paraense.
“Voltarei a Belém no dia 19 de novembro para encontrar o Secretário-Geral da ONU em um esforço conjunto para fortalecer a governança do clima e do multilateralismo. Também vou participar de reuniões com vários países, representantes da sociedade civil, povos indígenas e populações tradicionais, e governadores e prefeitos.”
O Opinião CE realiza a cobertura especial da COP30, com entrevistas, análises e informações exclusivas diretamente da conferência.
Retorno de Lula
Lula esteve na abertura da COP30 há uma semana e também participou, anteriormente, da Cúpula de Líderes realizada antes da conferência. Seu retorno agora coincide com a fase em que ministros do Meio Ambiente de diversos países assumem diretamente as negociações. O objetivo é destravar temas que as equipes técnicas não conseguiram avançar na primeira semana.
Entre os pontos mais sensíveis está a proposta liderada por Lula de construir um “mapa para o fim dos combustíveis fósseis”. A ideia não está formalmente entre os itens negociados, mas aparece como prioridade no documento da presidência brasileira da COP, e ganhou força após o presidente defender publicamente o tema em seus últimos discursos.
A presença de Lula em Belém busca reforçar a pressão para que, ao menos, a declaração final da conferência inclua a sinalização de que o tema deve ser trabalhado pelas próximas COPs.
A ministra Marina Silva tem atuado como principal articuladora brasileira nessa frente. Ela tem dialogado com países europeus, como Alemanha, Dinamarca, França e Reino Unido, e africanos, como o Quênia, para tentar vencer a resistência de nações do Oriente Médio, que rejeitam a ideia de estabelecer um plano de transição envolvendo petróleo e gás.
A expectativa é de que a chegada de Lula à COP30 fortaleça as tentativas de consenso e marque o tom político dos dias finais da conferência, que ocorrerá pela primeira vez na Amazônia brasileira.

