Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, defendeu no terceiro dia de julgamento do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro a validação da delação de Mauro Cid. O pronunciamento é considerado uma das principais peças que sustentam a acusação contra Bolsonaro e os outros sete réus.
Moraes rechaçou a tese levantada pelas defesas de que Mauro Cid teria apresentado oito versões diferentes em depoimentos prestados às autoridades, o que indicaria uma contradição em sua delação.
“As defesas insistem e confundem os oito primeiros depoimentos dados sucessivamente […] com oito delações contraditórias. Isso foi reiteradamente dito aqui como se fosse verdade. Isso beira a litigância de má-fé”, disse o ministro.
O ministro também tratou dos questionamentos feitos pelas defesas em razão do vazamento de áudios pela revista. Nas mensagens, o tenente-coronel diz estar sendo pressionado pela PF para delatar integrantes da trama golpista.
Segundo Moraes, os áudios vazados não afetam absolutamente em nada as informações fornecidas nem trouxeram qualquer prejuízo às defesas, pois os defensores puderam impugnar ponto por ponto o que foi dito nas delações.
CRÍTICAS DA DEFESA
Na semana passada, os advogados de defesa haviam argumentado que o STF não era a Corte adequada para julgar os casos, que houve “document dump” (divulgação excessiva de documentos prejudicando a defesa) por parte da acusação, juntamente à crítica de que a delação premiada do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, não seria válida.
SEQUÊNCIA DE VOTAÇÃO
Nessa semana de julgamento, após o voto do relator, os demais integrantes da turma vão proferir seus votos na seguinte sequência:
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Flávio Dino;
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Luiz Fux;
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Cármen Lúcia;
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Cristiano Zanin.
A maioria de votos pela condenação ou absolvição ocorrerá com três dos cinco votos do colegiado.
O julgamento começou na semana passada, quando foram ouvidas as sustentações das defesas do ex-presidente e dos demais acusados, além da manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, favorável à condenação de todos os réus.
