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Lei que libera pulverização por drones é publicada no Diário Oficial do Estado uma hora após aprovação

O deputado Felipe Mota (União Brasil) exibiu a publicação entre os colegas parlamentares. Renato Roseno (Psol) usou as redes sociais para endurecer as críticas ao governador Elmano de Freitas (PT)

Uma hora após ser aprovada na Assembleia Legislativa (Alece), a lei que libera o uso de drones para pulverizar lavouras foi sancionada pelo governador Elmano de Freitas (PT) e publicada na edição desta quinta-feira (19) no Diário Oficial do Estado (DOE). O deputado Felipe Mota (União Brasil) exibiu a publicação entre os colegas parlamentares. A velocidade da sanção e publicação impressionou negativamente os nove deputados que votaram contra o projeto de lei (PL). A proposta teve 22 votos favoráveis e nove contra.

Pela manhã do dia 19, os deputados estaduais aprovaram, na última sessão do ano, o PL que autoriza a pulverização de agrotóxicos por meio de drones no Estado. A matéria colocou em lados opostos parlamentares petistas, como Missias do MST, contrário à medida, e De Assis Diniz (PT), líder do maior bloco da base governista que apoiou a autorização, mesmo se abstendo da votação no momento final. A matéria foi defendida publicamente pelo governador Elmano de Freitas. No momento da votação, alguns parlamentares chegaram a chorar, registrando os votos.

QUEM VOTOU FAVORÁVEL

  • David Durand
  • Queiroz Filho
  • Firmo Camurça
  • Carmelo Neto
  • João Jaime
  • Osmar Baquit
  • Danniel Oliveira
  • Agenor Neto
  • Alcides Fernandes
  • Almir Bié
  • Alysson Aguiar
  • Cláudio Pinho
  • Felipe Mota
  • Guilherme Bismarck
  • Júlio César Filho
  • Leonardo Pinheiro
  • Lucílvio Girão
  • Marcos Sobreira
  • Nizo Costa
  • Romeu Aldigueri
  • Sargento Reginauro
  • Sérgio Aguiar

QUEM VOTOU CONTRA

  • Renato Roseno
  • Missias MST
  • Emilia Pessoa
  • Apollo Vicz
  • Lia Gomes
  • Jô Farias
  • Martinha Brandão
  • Guilherme Sampaio
  • Lucinildo Frota

CLIMA TENSO

A sessão plenária de quarta-feira (18) já mostrava as dificuldades encontradas para se chegar a um consenso. Autor da proposta, Felipe Mota criticou diretamente João Alfredo, superintendente do Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace), do Governo do Estado. Ele é um dos fortes críticos à flexibilização do uso de veneno para a agricultura. “Para com essa hipocrisia. Comece entregando seu cargo, já que você é contra a proposta do Governo. Entrega hoje, se você é homem”, disse, em tom acalorado, na tribuna. “Agora, se tu não entregar, nós vamos entupir de trator em frente ao Idace, pra ver se tu aguenta”, afirmou.

Na manhã de quarta-feira, os movimentos em mobilização contra os agrotóxicos realizaram um ato na Assembleia Legislativa contrário ao projeto. Também na terça, diante da repercussão, membros do Ministério Público do Ceará (MPCE) visitaram a Alece e pediram aos deputados que o projeto de lei que permite a pulverização por drones só sejam votados após um amplo debate com a sociedade.

Após a fala de Felipe Mota, parlamentares entraram em defesa de Alfredo. “Não preciso de o João Alfredo ter que deixar o cargo por ter uma visão que ele achar ser certa. Queria me solidarizar e dizer que precisamos respeitar as opiniões das pessoas, mas, sobretudo, o legado e a história desse grande camarada”, destacou Missias do MST.

O deputado Renato Roseno (Psol) pediu vista da matéria ainda na terça-feira (17), o que barrou a votação imediada do projeto. “Uma fala violenta, desrespeitosa e absolutamente sem sentido, porque ele estava prestes a aprovar o projeto. Governador [Elmano], retire esse projeto de pauta. Veja o que a fala do agronegócio representa, de fato. É ódio aos camponeses, à agroecologia”, disse.

Após a aprovação da lei, Renato Roseno endureceu as críticas ao posicionamento de Elmano de Freitas pelas redes sociais.

“Elmano, você nos derrotou. Derrotou o MST, a Fetraece, a Abrasco, UFC, a Ciência. Você me derrotou. Não é assim que se trata um companheiro de caminhada. Elmano, você se derrotou. Essa derrota é um retrocesso imenso a quem milita a favor da vida e da justiça Social”, postou o parlamentar o Psol.

Apesar das tentativas, Renato Roseno não conseguiu o adiamento da Votação do PL. “É um erro grave, Elmano! É muito pouco. Rasgar sua própria história por um aceno político a um setor que não estará com você daqui a dois anos”, completou Roseno na postagem nas redes sociais.

A LEI

De acordo com o projeto de lei aprovado na Alce, a pulverização aérea de agrotóxicos continua proibida, exceto se feita por aeronaves remotamente pilotadas (ARPs), veículo aéreo não-tripulado (Vant) ou drones. O texto diz ainda que o procedimento deve ser feito com orientação técnica de um engenheiro-agrônomo habilitado e com anotação de responsabilidade técnica (ART).

Segundo a nova norma, os equipamentos devem ficar no máximo dois metros acima da copa da cultura e com vento inferior à velocidade de 10 quilômetros por hora, além de não poder estar a menos de 30 metros de distância de equipamentos públicos, como escolas e hospitais, áreas de proteção ambiental (APA) e de proteção permanente (APP).