Vindo de uma série de conflitos que parecem intermináveis, o PDT no Ceará vive mais um capítulo da disputa de poder no Diretório estadual da legenda. Na última sexta (27), a Executiva Nacional do partido decidiu pela destituição do senador Cid Gomes (PDT-CE) da presidência da sigla no Ceará. Na segunda (30), em encontro de Cid junto aos seus aliados pedetistas, foi marcada reunião do Diretório para o dia 9 de novembro. Segundo o deputado estadual Sérgio Aguiar (PDT), ao OPINIÃO CE, a reunião deve definir o futuro do PDT no Estado. “Será importante para entendermos o que foi esse ato de intervenção da Nacional, para que a gente possa, a partir dali, tomar uma decisão”.
Como explicou o deputado, não foi tomada ainda nenhuma decisão oficial. “Nenhuma ata ou nenhum ato que tenha chegado ao conhecimento dos órgãos partidários”, pontuou. Aguiar lamentou a situação atual do PDT no Estado. “Não deveríamos ter chegado a esse ponto”.
Conforme o parlamentar, ele acredita que o grupo cidista do PDT Ceará ainda pode “insistir até o máximo” para que suas ideias sejam prevalecidas. No entanto, frisou que decisões têm de ser tomadas. “Infelizmente, quando você chega em um momento como esse, a gente tem que reavaliar, tem que pensar. Ou quem é a minoria se submete à decisão da maioria, ou cada um tem que formar um caminho diferente”, disse, lembrando que o grupo de Cid é maior que a ala liderada pelo deputado federal André Figueiredo (PDT-CE), presidente em exercício da Executiva Nacional.
Como pontuou Aguiar, os conflitos no PDT ocorrem muito por conta da atuação do Diretório Municipal da Capital. “Até pouco tempo atrás, eu defendia que nós poderíamos deixar o PDT Fortaleza ter a sua dinâmica própria, e o PDT Ceará ficando com o resto do Estado. Está chegando a um momento em que isso está ficando irresistível de acontecer”, opinou.
POSSIBILIDADE DE DESFILIAÇÃO DE CID
Em meio aos conflitos no partido, surgiu a possibilidade de desfiliação de Cid do PDT. Sergio Aguiar comentou sobre o assunto. “Imagino que ele esteja num dilema muito grande, porque foi praticamente convidado a tomar outro rumo”, afirmou. Entretanto, o deputado pontuou que Cid precisa avaliar com cuidado uma possível saída da legenda.
“Ele é o líder do partido na Câmara Alta do país, no Senado. Então é uma decisão que mexe com os brios de qualquer político, principalmente porque ele não pode pensar só em si, ele representa também um grupo político que, por sua vez, representa 184 municípios do Ceará”, destacou.
Aguiar aproveitou o momento para ressaltar a importância do ex-governador do Ceará como um dos quadros da legenda. “O Cid deve estar entre os 10 mais votados de todos os tempos no partido. Ele tem uma liderança consolidada, é um nome de respeito, e que a gente pode ter a confiança de que ele não chegou ali de qualquer forma pessoal, mas sim coletiva, por nós confiarmos no trabalho que ele tem a frente do partido”.
O deputado destacou, no entanto, que o episódio que ocorreu com o presidente do Legislativo cearense, Evandro Leitão (sem partido), pode vir a acontecer com outros parlamentares. Nesta segunda (30) o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) autorizou a desfiliação do deputado sem que ele perca o mandato. “Possivelmente, isso [o processo de desfiliação] também pode ser tomado por outros parlamentares do partido”.
Segundo o Código Eleitoral do Brasil, deputados e vereadores não podem se desfiliar do partido sem o aval da Justiça, sob risco de perderem seus mandatos. Atualmente, integrantes dos poderes executivos – nas três esferas – e os senadores têm permissão para a troca de legenda sem a perda de mandato. Como explicou Aguiar, a “inquietude no caso Evandro” tem sido mais sentida na Capital, sendo pouco discutida ou tendo pouca influência no Interior. Conforme ele, o presidente da Casa é “um dos nomes mais fortes que existem nesse ato de alianças que a gente iniciou no Estado do Ceará em 2007 com o Cid”.
“Ele vai tomar um novo rumo partidário, mas nem por isso deixa de ser um grande quadro para eu poder, como pedetista, dizer para ele colocar o seu nome à disposição da Capital para o fortalezense”.
ELEIÇÕES NO INTERIOR
Segundo o deputado, apesar do início do período das campanhas eleitorais ainda estar distante, ele acredita que “ela já começou em boa parte dos Municípios do Interior do Estado”. Como explicou o parlamentar, “quanto menor o Município, mais se respira política”. “Nos municípios do Interior, a efervescência da política começa muito mais cedo”, afirmou.
“Até porque geralmente são dois lados. É quem está no poder e aquele que tá ali para combater que está no poder. Já temos vários municípios com suas representações praticamente definidas”.
Conforme Aguiar, as cidades do Interior tendem a seguir uma tendência na política. “Geralmente, a prática é tentar ter uma nova eleição do que foi quatro anos atrás, ou seja, aquele que perdeu está com seu nome colocado para disputar com aquele que ganhou, quando não é o caso de reeleição”.
De acordo com o pedetista, há prefeitos e candidatos “mais inquietos”, em busca de uma definição prévia da candidatura. “Mas eu sempre digo que temos que ter cautela para que, até o dia 4 de abril, que é o prazo fatal para o período de filiações, isso possa estar definido”, disse. “Temos quase seis meses para essa definição. Esperamos que haja, até o final do ano, já um posicionamento final e a gente saiba como vamos nos portar, principalmente os nossos candidatos a prefeitos que disputam as eleições no Interior”, completou.
