O deputado federal José Guimarães (PT), líder do Governo na Câmara, classificou como “fofoca de imprensa” a suposta indicação do ex-vice-governador Domingos Filho (PSD) para a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A instituição tem peso estratégico no Nordeste e é disputada por lideranças cearenses e regionais. Nesta semana, conforme informações do Estadão, o PSD teria indicado Domingos Filho, pai do deputado federal Domingos Neto (PSD).
Extinta no início desta gestão petista, a Fundação agora foi recriada para acomodar os interesses do Centrão.
“Não tem nada acertado ainda. Tem uma discussão que está acontecendo na Casa Civil e a Funasa sequer foi recriada ainda”, diz.
A declaração de Guimarães foi feita ao radialista Welington Lima, da Rádio Agora FM 89.5, em Canindé. Em maio, Guimarães já havia defendido a criação da Funasa: “O Governo libera a questão da Funasa até para facilitar a vida de todos aqui. Isso é uma coisa importante e, por isso, quero fazer esse gesto em nome do que a Câmara fez pelo Governo”, disse, na ocasião.
IMPORTÂNCIA DO ÓRGÃO
A Funasa é considerada um posto estratégico na máquina pública, pela possibilidade de destinar emendas e fazer política pública “na ponta”, com entregas nos municípios às vésperas das eleições municipais do ano que vem.
Hoje, Domingos Filho capitaneia uma das oligarquias políticas do Estado, a partir de Tauá, administrado por sua esposa, Patrícia Aguiar. Ex-vice-governador do Estado, é pai do deputado federal Domingos Neto e da deputada estadual Gabriella Aguiar (PSD). Se no âmbito federal Domingos Filho pode ganhar um cargo no Governo Lula, no Ceará ele costura aliança do PSD com Elmano de Freitas.
De acordo com o deputado federal Danilo Forte (União Brasil), a Funasa tem, em 2023, um orçamento de quase R$ 3 bilhões. O parlamentar, que participa ativamente das tratativas para a criação do órgão, defende um nome técnico nesse primeiro momento.
Já a indicação de Domingos Filho atende a uma necessidade do Centrão de ter um político sem cargo eletivo à frente da Fundação, já que a lei impede parlamentares de comandarem a Funasa. Se um deputado ou senador quiser assumir agências, como a Funasa ou a Embratur, precisa renunciar ao seu respectivo cargo. Por outro lado, o pedido embaralha, ainda mais, o xadrez da reforma ministerial articulada pelo presidente Lula (PT) para dar assento na Esplanada ao Republicanos e ao PP do presidente da Câmara, Arthur Lira.
