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Oposição articula CPI para investigar corte de recursos ao CRIO após fala de ex-líder de Sarto

O vereador de Fortaleza Eudes Bringel (PSB), opositor do prefeito José Sarto (PDT) na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), afirmou que 12 parlamentares já assinaram documento que pede a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as declarações do vereador Carlos Mesquita (PDT), que, até esta quinta-feira (23), era líder do gestor no Legislativo. Com isso, mais três assinaturas seriam o suficiente para dar início à CPI. Na última semana, o pedetista afirmou que a Prefeitura de Fortaleza cortou recursos ao Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio) propositadamente.

O corte das verbas, segundo Mesquita, teria sido feito para ver “se o Estado se mancava, e pagava a parte dele”. A afirmação causou estranheza aos opositores do prefeito, não só na CMFor, como também na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). Ao OPINIÃO CE, o vereador Eudes Bringel comentou o assunto. “Causou um espanto para todos os colegas, porque ele foi bem claro na sua fala dizendo que a Prefeitura teria cortado o repasse da oncologia para pressionar o Governo estadual a também fazer o seu repasse”, disse. O parlamentar continuou, desta vez, em crítica a Sarto.

“Como o prefeito orienta o seu líder a falar isso? Porque o líder fala em nome do prefeito, isso é bem claro. Para o meu espanto, um prefeito que é médico cortou dinheiro da saúde de propósito para poder atacar o governo do estado”, completou.

Ainda conforme o vereador, Mesquita tentou se explicar, mas não teria sido claro em sua tentativa. “Então nós da oposição conversamos e achamos que seria solicitada uma CPI para apurar essa fala. Já temos 12 assinaturas, precisamos de mais três para abrir a CPI com o intuito exclusivo de apurar o assunto da Saúde no município de Fortaleza”. Como completou Bringel, há conversas entre a oposição para que se busque, inclusive, a assinatura de vereadores da base de Sarto. “Para eles virem assinar, porque senão vai ficar complicado. Queremos uma justificativa”.

“Temos um vereador, o presidente da Comissão de Saúde [Comissão Conjunta de Constituição e Saúde], Raimundo Filho [PDT]. Nós chegamos para ele e o convocamos. O interesse aqui é um só, apurar os fatos e saber se realmente houve essa negligência por parte do prefeito, como falou o seu líder”, afirmou.

ENTENDA A SITUAÇÃO

A fala de Carlos Mesquita sobre o corte dos recursos do Crio ocorreu no início deste mês, em sessão plenária na CMFor. Após o ocorrido, o vereador entrou em mais outra polêmica, ao insinuar que se a Prefeitura de Fortaleza não tivesse cortado os repasses ao Crio propositadamente, o Governo do Estado não teria anunciado os R$ 270 milhões para o tratamento oncológico. O valor de R$ 270 milhões para a interiorização do tratamento de câncer, apresentado pelo governador Elmano de Freitas (PT), no entanto, foi anunciado ainda antes da fala do vereador sobre o Crio.

Ainda na mesma ocasião, Mesquita lembrou a situação em que o senador Cid Gomes (PDT) teria proferido a frase o “Lula está preso, babaca”, e direcionou aos parlamentares do Legislativo cearense: “Dizer para aqueles da Assembleia, Larissa [Gaspar] e companhia limitada, o Sarto é prefeito, babacas, não tem obrigação com oncologia como era para ser não”. A polêmica então escalou para a Alece. Parlamentares da base e da oposição a Elmano criticaram as ofensas proferidas pelo ex-líder de Sarto. No mesmo dia, a assessoria do prefeito informou que o vereador havia deixado a liderança do gestor.