Menu

SUS amplia para 100 mil atendimentos mensais serviço de apoio a pessoas com vício em apostas online

Teleatendimento gratuito pelo aplicativo Meu SUS Digital passa a atender até 100 mil pessoas por mês e busca ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental
Teleatendimento pelo Meu SUS Digital oferece acolhimento e acompanhamento psicológico para pessoas com dependência em jogos e apostas. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou para até 100 mil o número de teleatendimentos mensais destinados a pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. A medida entra em vigor nesta terça-feira (4) e busca atender à crescente demanda por apoio psicológico diante do aumento dos casos de dependência em plataformas de apostas.

O serviço começou a ser oferecido em março deste ano, com capacidade para cerca de 600 atendimentos mensais. Segundo o Ministério da Saúde, a expansão foi motivada pela alta procura dos usuários e faz parte das ações do Governo Federal para fortalecer a assistência em saúde mental.

O atendimento é realizado de forma remota, sigilosa e gratuita por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). A ferramenta oferece acolhimento, orientação e acompanhamento profissional, funcionando como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 1 milhão de pessoas solicitaram a autoexclusão do CPF de sites e aplicativos de apostas por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, vinculada ao Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas. Desse total, 35% informaram que recorreram ao mecanismo por terem perdido o controle sobre as apostas.

Entre os principais sinais de alerta para o transtorno relacionado aos jogos, o ministério destaca alterações no sono, na alimentação e no humor; mentiras para familiares e amigos sobre a prática de apostas; sentimentos de culpa e vergonha; ansiedade e irritabilidade quando a pessoa não consegue jogar; uso das apostas como forma de aliviar o estresse; dificuldade para reduzir ou interromper o hábito; prejuízos nas relações pessoais e profissionais; aumento do consumo de álcool e outras drogas; e comprometimento do orçamento pessoal ou familiar.

A pasta também aponta fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento da dependência, como a exposição precoce aos jogos de aposta, a facilidade de acesso às plataformas online, a busca por alívio emocional, histórico de transtornos mentais, impulsividade, influência social que normaliza as apostas, isolamento social e situações de vulnerabilidade.

Com a ampliação da capacidade de atendimento, o Ministério da Saúde pretende facilitar o acesso ao suporte especializado e fortalecer a prevenção e o tratamento de pessoas afetadas pelo crescimento das apostas eletrônicas no Brasil.