Depois de vencer a etapa Brasil da World Robot Olympiad (WRO), a equipe All Might Kids, da Escola SESI SENAI Parangaba, no Ceará, conquistou o primeiro lugar na etapa das Américas, realizada nos dias 26 e 27 de setembro, na Califórnia, nos Estados Unidos. Formada pelos estudantes Miguel Mota, de 12 anos, e Thales Silva, de 11, a equipe competiu na categoria Elementary, da Future Innovators, e superou representantes de países como Canadá, Estados Unidos e Coreia do Sul. Ao todo, nove países participaram da etapa.
O projeto apresentado pelos cearenses foi o “Ritmo”, uma solução que combina robótica e cultura para aproximar as novas gerações da literatura de cordel. A proposta utiliza os batimentos cardíacos do usuário para personalizar a experiência. O ritmo do coração serve como referência para que o sistema escolha, de forma autônoma, qual categoria de cordel será entregue fisicamente. A ideia surgiu a partir de uma pergunta: “E se a batida do coração pudesse escolher uma história para você?”
Tecnologia e cultura
Segundo Miguel Mota, a participação na competição permitiu que a equipe apresentasse o projeto para pessoas de diferentes países e também conhecesse outras soluções desenvolvidas na área da robótica. “Foi uma experiência muito legal, pois conseguimos mostrar o nosso trabalho para pessoas de diferentes lugares e aprender com outros projetos. Essa participação foi muito importante para nossa equipe e mostrou que a robótica pode ser usada não só para competir, mas também para criar ideias que podem ajudar as pessoas a valorizar nossa cultura”, disse Miguel.
Thales destacou a reação do público estrangeiro ao conhecer o cordel e a possibilidade de unir uma manifestação cultural brasileira a uma solução tecnológica. “Desde o início, acreditávamos que o cordel seria um dos grandes diferenciais do nosso projeto, justamente por carregar uma identidade cultural muito forte. Existia a dúvida sobre como pessoas de outros países compreenderiam essa manifestação cultural brasileira. Foi muito interessante ver a curiosidade das pessoas em conhecer o cordel e entender a proposta. Conseguimos unir cultura e tecnologia de uma forma que chamou muita atenção”, comentou Thales.

O estudante também agradeceu o apoio recebido durante a preparação para a competição. A equipe esteve acompanhada pela gerente de Educação e Cultura do SESI Ceará, Ana Paula Pinho, pelo diretor escolar Paulo Botafogo e pelo treinador Bergson Amaral.
Resultado é atribuído a trabalho conjunto
O Superintendente do SESI Ceará e Diretor Regional do SENAI Ceará, Paulo André Holanda, afirmou que a conquista é resultado do trabalho desenvolvido por alunos, professores, gestores e parceiros. “É uma alegria ver que a robótica está na agenda da Presidência da FIEC, da Superintendência do SESI Ceará e dos nossos Conselhos. Quero parabenizar os alunos, os professores, os diretores e, em nome de todos eles, a nossa gerente de Educação e Cultura, Ana Paula Pinho, pelo trabalho sério e dedicado que tornou esse resultado possível”, disse.
Holanda também destacou a participação da ArcelorMittal no projeto. “Essa parceria foi estratégica e fundamental para que nossos alunos e professores, junto com o SESI, pudessem chegar tão longe e conquistar esse pódio. Quando uma empresa acredita na educação e investe nas nossas crianças e nos nossos jovens, está ajudando a construir novas oportunidades e a preparar as próximas gerações.”
Próximo desafio será em Porto Rico
A conquista na Califórnia garantiu à All Might Kids uma vaga na etapa final internacional da WRO, marcada para dezembro, em San Juan, capital de Porto Rico.
A equipe cearense chega à fase final após um histórico recente de resultados internacionais. Em 2025, os estudantes participaram da WRO em Singapura, na Ásia, onde conquistaram medalha de bronze na etapa mundial e também foram campeões brasileiros. Na ocasião, apresentaram um robô desenvolvido para apoiar a vida no espaço, explorando soluções tecnológicas que poderiam ser aplicadas em ambientes espaciais.

Em 2026, a preparação continuou com a participação na etapa Brasil, realizada em Joinville (SC), em agosto. A equipe venceu a categoria Elementary e garantiu a classificação para a etapa das Américas.
Como funciona o projeto “Ritmo”
O “Ritmo” utiliza a leitura dos batimentos cardíacos para criar uma experiência personalizada. A partir do ritmo do coração, o sistema define autonomamente qual categoria de literatura de cordel será entregue ao usuário. O cordel é um gênero literário popular no Brasil, especialmente no Nordeste, caracterizado por poemas rimados organizados em versos com métrica específica. Tradicionalmente, os textos são publicados em pequenos livretos, cujas capas costumam ser ilustradas com xilogravuras.
A proposta dos estudantes cearenses busca aproximar esse patrimônio cultural de uma experiência baseada em tecnologia e robótica.
A WRO é realizada pela Space Faculty, empresa asiática voltada à criação de oportunidades de experimentação, aprendizado e liderança por meio do espaço, com atuação no desenvolvimento de pessoas e tecnologias. A competição utiliza conceitos de STEM, que reúne ciências, tecnologia, engenharia e matemática, além de abordagens relacionadas à chamada “Deep Tech”.
