O Ceará está entre as seis áreas identificadas pelo Movimento Viva Água como prioritárias e críticas em relação à segurança hídrica. A informação foi divulgada por Guilherme Karam, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, durante evento em Fortaleza nesta terça-feira (1º). Ainda em fase de ativação no Estado, o projeto deve contemplar as bacias dos rios Cocó e Pacoti, responsáveis por 45% do abastecimento da Grande Fortaleza.
A iniciativa foi apresentada durante encontro realizado na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), com representantes do setor industrial, gestores do Sistema FIEC e profissionais envolvidos no Movimento Viva Água.
Idealizado pela Fundação Grupo Boticário, o movimento atua em seis territórios brasileiros com ações voltadas ao fortalecimento da segurança hídrica e à adaptação às mudanças climáticas em bacias hidrográficas. A proposta busca implementar iniciativas de conservação da natureza e de transição para uma economia sustentável em parceria com o setor produtivo, poder público, academia e terceiro setor. O movimento conta ainda com apoio da consultoria de inovação colaborativa Beta-i.
Projeto prevê ações nas bacias do Cocó e Pacoti
No Ceará, o Movimento Viva Água deverá atuar nas bacias dos rios Cocó e Pacoti. Entre as medidas previstas estão restauração e conservação de áreas naturais, monitoramento de incêndios, incentivo ao turismo sustentável e promoção de cadeias produtivas agrícolas sustentáveis em comunidades rurais. Segundo Guilherme Karam, a escolha do Ceará está relacionada à necessidade de iniciativas voltadas à conservação dos mananciais e ao empreendedorismo sustentável.
“O Movimento Viva Água chegou ao Ceará porque a região exige esse tipo de iniciativa, que olha para a conservação de mananciais e apoio ao empreendedorismo sustentável como uma forma de cuidar do território e gerar mais resiliência para que se tenha mais água em qualidade e quantidade para oferecer ao cidadão comum e para as atividades produtivas”, afirma.
Karam também destacou a importância da aproximação com as federações de indústrias para mobilizar o setor produtivo e identificar empresas interessadas em estratégias de promoção da segurança hídrica por meio da conservação da natureza.
FIEC defende articulação com setor produtivo
O encontro foi aberto pelo diretor financeiro da FIEC, Edgar Gadelha, que representou o presidente da Federação, Ricardo Cavalcante. Ele destacou o alinhamento do Movimento Viva Água com a agenda de sustentabilidade do setor industrial e afirmou que a FIEC pode atuar como articuladora entre indústrias, órgãos governamentais e agentes financiadores.
“A FIEC fica muito feliz de receber a Fundação Grupo Boticário e iniciar esse diálogo. No Ceará, a água e o gerenciamento de recursos hídricos são questões que tratamos com muito cuidado, e a sustentabilidade é estratégica para a Federação. Temos uma Gerência de Sustentabilidade e um Núcleo ESG, então é um assunto que está na agenda do industrial, ele quer fazer a coisa certa. A partir desse encontro, precisamos colocar a bola no chão, fazer e maturar projetos e buscar a iniciativa privada para que isso comece a acontecer”, ressaltou.
Para o gerente de Desenvolvimento Sustentável da FIEC, Joaquim Rolim, a parceria representa uma oportunidade de aproximar desenvolvimento econômico e preservação da água no semiárido. “A FIEC, através do Presidente Ricardo Cavalcante, tem se engajado com o tema da sustentabilidade, e o programa Viva Água vem muito a calhar com essas prioridades traçadas. Vemos que o Ceará tem grande necessidade de priorizar a segurança hídrica e o setor industrial está cada vez mais engajado em prol dessa temática”, pontua.
Empresas discutem participação na iniciativa
Também participou do encontro a gerente sênior de ESG da Diageo, Darline Oliveira. Segundo ela, a empresa busca combinar o uso eficiente da água nos processos produtivos com iniciativas externas voltadas à resiliência hídrica das comunidades onde atua.
“Essa iniciativa se conecta muito com nossos planos relacionados à preservação e à melhor utilização desse recurso. Para nós, que somos uma indústria de bebidas e que utilizamos a água no nosso processo produtivo, faz muito sentido que, além do patamar de eficiência hídrica dentro da organização, a gente também assuma compromissos que olhem para as comunidades e que promovam o acesso à água potável. Então, é muito importante para nossa agenda estar aqui hoje conhecendo o Movimento Viva Água e pensando de que forma colaborar com a ampliação do projeto”, avalia.
O encontro também contou com a participação da gestora do Núcleo ESG da FIEC, Alcileia Farias, e da coordenadora de Restauração Florestal da Associação Caatinga, Yara Lemos, além de empresários, gestores do Sistema FIEC e profissionais do Movimento Viva Água.
