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Projeto da UFC transforma lendas e personagens do Cariri em jogo de tabuleiro

Projeto desenvolvido em parceria com crianças e adolescentes da Fundação Casa Grande reúne cultura popular, acessibilidade e educação em um jogo de tabuleiro que já começou a ser distribuído no Ceará
“Imaginário Cariri” já começou a ser distribuído para instituições culturais e de inclusão social no Ceará. Foto: Divulgação/UFC

A cultura popular do Cariri cearense ganhou uma nova forma de ser preservada e compartilhada. Desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com crianças e adolescentes da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, o jogo de tabuleiro “Imaginário Cariri” utiliza lendas, personagens, lugares e tradições da região para estimular a criatividade e valorizar o patrimônio cultural cearense.

Voltado para crianças a partir de 11 anos, o jogo tem como ponto de partida uma pergunta simples: “Você imagina ou não imagina?”. A partir dela, os participantes são convidados a construir narrativas utilizando cartas inspiradas em elementos da cultura caririense.

A iniciativa nasceu em 2024 por meio do Laboratório Experimental de Jogos, Comunicação e Audiovisual (SMD Lab) e do Incrível Grupo de Estudos em Jogos de Tabuleiro (Igrejota), ambos vinculados ao curso de Sistemas e Mídias Digitais (SMD) da UFC. Durante dois anos, professores, estudantes, servidores e egressos da universidade realizaram oficinas criativas e rodas de conversa com jovens da Fundação Casa Grande para desenvolver o projeto de forma colaborativa.

Construção coletiva

Segundo o professor da UFC e coordenador do Igrejota, Glaudiney Mendonça, o processo de criação partiu diretamente das contribuições das crianças e adolescentes envolvidos. “Com o material elaborado pelas crianças, investigamos as características das narrativas e dos personagens e destacamos algumas diretrizes para pensar na metáfora e nas mecânicas do jogo. Criamos um primeiro protótipo e o levamos para Nova Olinda para testar com as crianças e ouvir as sugestões de melhorias”, explicou.

De acordo com o docente, as ideias apresentadas pelos participantes foram incorporadas ao produto final.

“Na última visita, levamos o jogo finalizado e apresentamos para elas como as ideias foram incorporadas. Foi muito legal ver a recepção delas com o material produzido”, acrescentou.

Entre as contribuições está a personagem Dindilda, conhecida como “a mulher do dindin”, criada por José Venâncio, de 13 anos, supervisor de comunicação da Fundação Casa Grande. “Achei muito interessante a gente criar os personagens para o jogo. Gostei bastante de como ele funciona e achei muito bonitos os desenhos que fizeram a partir dos nossos”, relatou.

Cultura e educação

Para a coordenadora do SMD Lab, professora Andrea Pinheiro, o projeto demonstra a capacidade da universidade de produzir conhecimento em diálogo com os territórios e suas comunidades. “É uma oportunidade de olhar para nossa região do Cariri cearense, reconhecer suas potencialidades e apresentar essas riquezas de forma lúdica, permitindo que pessoas de diferentes idades conheçam e se apropriem desse patrimônio”, destacou.

Acessibilidade como diferencial

Além da valorização cultural, o “Imaginário Cariri” também se destaca pela preocupação com a inclusão. O jogo foi desenvolvido com recursos de acessibilidade voltados para pessoas com deficiência visual. Entre as soluções implementadas estão peças táteis produzidas em impressoras 3D, QR Codes com descrições acessíveis e orientações que permitem a participação conjunta de pessoas cegas e videntes.

“Pensamos em como uma pessoa com deficiência visual pode jogar com autonomia e sem se sentir deslocada. Uma grande contribuição do projeto é promover inclusão, coparticipação e transformação na forma como as pessoas compreendem a acessibilidade”, explica Allan George Bezerra, servidor técnico-administrativo da UFC e agente de acessibilidade do jogo.

Distribuição

Após lançamentos realizados em Nova Olinda e Fortaleza, o jogo começou a ser distribuído para instituições que atuam com crianças e pessoas com deficiência visual. Já receberam exemplares o Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) e o Instituto dos Cegos. A previsão é que o material também passe a integrar, em breve, o acervo da Biblioteca Pública Estadual do Ceará.