Menu

Tatu-bola que inspirou “Fuleco” segue ameaçado de extinção

Apesar da visibilidade internacional, a espécie segue ameaçada.
Foto: Divulgação/Associação Caatinga e Reprodução

A FIFA, entidade máxima do futebol, apresentou ao planeta, em 2013, o seu mascote para a Copa do Mundo, que seria sediada no Brasil no ano seguinte. Com carisma e originalidade, rapidamente, o “Fuleco” se tornou popular em todo o país, inclusive se tornando “meme” na internet ao ser encontrado nas situações mais inusitadas. 

Mas por trás da alegria e da irreverência, havia um alerta ambiental. O mascote foi inspirado no tatu-bola (Tolypeutes tricinctus), espécie exclusiva da fauna brasileira, presente nos biomas caatinga e cerrado, que enfrenta risco de extinção. 

Apesar da iniciativa de conscientização, houve o avanço degradação dos lugares em que esses animais vivem nos últimos anos. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), inclusive, dará início a um novo ciclo do Plano de Ação Nacional para a Conservação do tamanduá-bandeira, tatu-canastra e tatu-bola, ou simplesmente PAN Tata, reforçando as estratégias de proteção dessas espécies.

O tatu-bola atualmente é classificado como “vulnerável à extinção”, mas enfrenta ameaças crescentes relacionadas ao avanço do desmatamento, à degradação ambiental e à perda de habitat natural. Dados do PAN Tata indicam que a espécie já perdeu cerca de 50% de sua área original de ocorrência ao longo das últimas décadas.

“Ver o tatu-bola novamente no centro das discussões ambientais é fundamental para reforçar a urgência da conservação da espécie. Apesar de toda a visibilidade conquistada nos últimos anos, o animal continua ameaçado pela perda de habitat e pela degradação da caatinga e do cerrado. Proteger o tatu-bola é também proteger a biodiversidade brasileira e os ecossistemas onde ele vive”, destaca Daniel Fernandes, diretor-executivo da Associação Caatinga.

Papel do Ceará na escolha do “Fuleco”

Muito antes de ganhar projeção internacional com a Copa de 2014, o tatu-bola já era uma das principais bandeiras da Associação Caatinga (AC) na defesa da biodiversidade brasileira. A instituição cearense teve papel importante na mobilização que levou o animal a se tornar símbolo do Mundial realizado no Brasil, utilizando a visibilidade do evento esportivo para ampliar o debate sobre a preservação da caatinga e das espécies ameaçadas de extinção.

A relação entre a ONG e o tatu-bola nasceu a partir das ações de conservação desenvolvidas na Reserva Natural Serra das Almas, área localizada entre os estados do Ceará e Piauí, gerida pela entidade. O local é considerado uma das poucas regiões onde a espécie ainda pode ser encontrada na natureza. Foi desse trabalho de preservação que surgiu a proposta de transformar o animal em mascote da Copa.

A escolha buscava chamar atenção para a importância da conservação da caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e um dos mais ameaçados do país. O comportamento característico do tatu-bola, que se enrola completamente como mecanismo de defesa, também contribuiu para a escolha do animal, posteriormente batizado de “Fuleco”.

À época, a campanha ganhou grande repercussão nas redes sociais e ajudou a fortalecer o debate sobre conservação ambiental, espécies ameaçadas e proteção dos habitats naturais do semiárido brasileiro. O tatu-bola passou a representar não apenas o futebol, mas também a luta pela preservação da fauna brasileira.