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Após fala de Janja, AGU se reúne com Discord e cobra proteção de crianças na plataforma

O encontro foi agendado após caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live na plataforma
O órgão estuda entrar com uma ação judicial contra a plataforma. Foto: Bruno Peres/Agência Brasi

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta sexta-feira (7) que se reuniu com representantes da rede social Discord para tratar de falhas intensificadas na verificação de idade e proteção de crianças e adolescentes que utilizam a plataforma. O encontro foi agendado após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu no mês passado. 

Durante cerimônia no Palácio do Planalto na última quinta-feira (6), a primeira-dama Janja se dirigiu a AGU, cobrando instrumentos legais para proteger as crianças na plataforma.

“A gente precisa encontrar os instrumentos legais. Queria perguntar para nossos ministros, especialmente para o da AGU, quais são os instrumentos que a gente tem”, acrescentou Janja, dirigindo-se ao advogado-geral da União, Jorge Messias.

Durante a reunião, os representantes da AGU ressaltaram que a proteção de crianças e adolescentes é um dever legal que deve ser cumprido pelas empresas que operam as redes sociais e cobraram medidas concretas para prevenção de riscos, identificação de situações de vulnerabilidade e de proteção de menores de idade. 

Segundo a AGU, os representantes do Discord manifestaram disposição para cumprir as exigências legais e corrigir as falhas identificadas. O órgão avalia propor a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para assegurar o cumprimento das regras.

Em caso de descumprimento, o órgão estuda entrar com uma ação judicial contra a plataforma. 

Janja se posiciona

A primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, defendeu bloquear a plataforma Discord no Brasil, durante cerimônia no Palácio do Planalto na última quinta-feira (6). O evento em Brasília marcou a sanção de uma lei que amplia a punição para quem pratica violência sexual contra crianças e adolescentes.

Janja citou o caso a adolescente que teria sido induzida por um grupo de jovens a atentar contra a própria vida em uma transmissão pela plataforma.

“Eu acho que a gente precisa retirar imediatamente o Discord do ar. A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma. Eu não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo na internet, no Discord, se enforcar e morrer”, comentou.

Em seguida, Messias pediu ao Ministério da Justiça que encaminhe as informações sobre o caso da adolescente e sobre o Discord para a preparação de uma ação civil pública contra a plataforma.

O caso da jovem

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou na útima terça-feira (4) os resultados da Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e realizada com o apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP), para investigar uma organização criminosa que atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais, submetia vítimas a coerção psicológica e as incentivava à prática de violência extrema contra animais (principalmente gatos), desafios de automutilação e induzimento ao suicídio.

A apuração teve início após suicídio transmitido ao vivo de uma adolescente (Lívia) de 13 anos, no último dia 22 de julho. 

live na internet ocorreu em um grupo virtual da rede social Discord, por cerca de 45 minutos. Antes de ser induzida a tirar a própria vida na casa onde morava com a família em Naviraí, a 365 km de Campo Grande, a adolescente foi coagida no ambiente virtual pelos criminosos a torturar e matar um gato, sem êxito.