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Ponte dos Ingleses: Estado denuncia irregularidades e diz que estrutura pode desabar; Prefeitura nega

Foto: Prefeitura de Fortaleza

Em mais um capítulo com troca de farpas entre a Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado envolvendo obras públicas, dessa vez, a Ponte dos Ingleses – também conhecida como Ponte Metálica e considerada um ponto tradicional da Capital -, a gestão estadual atribuiu responsabilidade ao prefeito José Sarto (PDT) pelo não avanço das intervenções, paralisadas desde o ano passado. Nesta quarta-feira, 26, Sarto disse que a Prefeitura assumirá a reforma da Ponte dos Ingleses após negligência do Governo. O local está interditado há cerca de cinco anos e tem obras paradas desde 2022.

O Estado chega a alegar que foram constatados riscos para o equipamento, inclusive de desabamento, após intervenções da Prefeitura. A Prefeitura nega qualquer tipo de irregularidade.

Por meio de nota, a Superintendência de Obras Públicas (SOP) informou que “a Prefeitura de Fortaleza não cumpriu o acordo realizado anteriormente para a plena execução da obra de superestrutura da Ponte dos Ingleses, conforme o Termo de Cooperação Técnica º 004/2021 – SEINF/SETUR/SOP, assinado em 18 de novembro de 2021”. Conforme a pasta estadual, a Prefeitura faria a ‘reparação estrutural da Ponte dos Ingleses, incluindo o projeto de estruturação do piso’.

Já o Governo do Estado, na sequência, ficaria incumbido da parte de urbanização do equipamento. “Um estudo de viabilidade foi realizado por engenheiros da SOP e do Corpo de Bombeiros no equipamento após a conclusão da parte realizada pelo município, pois essa não incluiu uma série de intervenções acordadas anteriormente e previstas no projeto”, diz a SOP.

“O relatório atestou riscos para o equipamento, inclusive de desabamento, caso houvesse o andamento da obra de urbanização, que já estava devidamente licitada pelo Estado”.

PREFEITURA

Em nota enviada ao OPINIÃO CE, a Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf) de Fortaleza nega qualquer irregularidade e diz que “as obras, entregues em janeiro de 2022, atenderam a todas as especificações técnicas de uma intervenção desta natureza, tanto que foi recebida pelo órgão estadual, que utilizou o projeto para realizar uma contratação sem sucesso e uma outra contratação direta com dispensa de licitação para a execução das obras de urbanização, também sem avanços”.

“A Seinf recebeu nesta quarta-feira (26/07) com surpresa, um ‘parecer de vistoria’ assinado por engenheiros da SOP, contendo inclusive graves inconsistências e erros técnicos, como a descrição dos materiais utilizados na intervenção, dentre outros. A justificativa do órgão estadual para a não continuidade das obras que se comprometeu a fazer não traz nenhuma prova concreta de falhas técnicas de engenharia”, aponta.

Ainda em nota, a gestão municipal reitera que a decisão de tomar para a si a responsabilidade das obras se deu “após um ano e meio de espera pela execução do projeto por parte do Governo do Estado, que alegou a indisponibilidade orçamentária para a realização das obras, o desconhecimento da posse da ponte, além de outras justificativas apresentadas durante audiência ocorrida em junho deste ano, na sede da 135ª Promotoria de Justiça de Fortaleza”.

REPARO ESTRUTURAL

Em janeiro de 2021, a Prefeitura iniciou as obras de reparo estrutural da Ponte dos Ingleses visando a recuperação dos pilares e vigas do equipamento. Os serviços incluíram, conforme a gestão municipal publicizou na época, a ancoragem da edificação, a concretagem das ferragens, além de manutenção preventiva e de restauro. Na primeira frente de obra, as equipes trabalharam na retirada dos quiosques existentes e de todo o madeiramento antigo da ponte que possui, aproximadamente, 2.369 m² de área.

Com investimento inicial de R$ 4,1 milhões, a obra de reparo estrutural foi feito pela Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf). A previsão era que, após o período inicial, o Governo do Estado iniciasse as obras de requalificação da ponte, com a implantação de piso industrial, guarda-corpo e quiosques, o que não se concretizou.

Segundo a Prefeitura, a partir de agora, com a decisão de assumir o compromisso de executar os serviços de obrigação do Estado, será feita a licitação para urbanização e restauro do equipamento em duas etapas: construção do piso e guarda-corpo e, em seguida, a construção dos quiosques, conforme o projeto elaborado e aprovado anteriormente.