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Parla, Jovem!: experiências escolar e familiar inspiram projetos de jovens vereadores

Estudantes apresentam iniciativas com foco na saúde, educação, trabalho, inovação e distribuição de renda.
Eloá, Caroline, Davi e Lucas Renan. Fotos: Luciano Melo

Tão logo assumiram os seus mandatos, há pouco mais de 10 dias, como jovens vereadores do projeto Parla, Jovem!, da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), os estudantes Eloá Lavine, Caroline Gomes, Davi Fernandes e Lucas Renan já apresentaram seus primeiros projetos. Todas as iniciativas fruto das inquietações que carregam no cotidiano. 

Implementar salas de inovação, oferecer cursos de capacitação para trabalhadores em situação de vulnerabilidade, estruturar enfermarias escolares e garantir o acesso a atendimentos essenciais de saúde são os principais objetivos dos projetos apresentados pelo quarteto. 

Todos são da Escola de Tempo Integral (EMTI) Deputado Roberto Mesquita, instituição que registra o melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do Distrito 1 de Educação de Fortaleza, que abrange bairros como Vila Velha e Quintino Cunha. 

Os garotos compõem um grupo de 24 jovens, que vivem a experiência simulada do parlamento, com debates e propostas, que trazem um outro olhar sobre a cidade. Todos eles, no último dia 29 de junho, ocuparam as cadeiras da Casa Legislativa na primeira sessão promovida pelo Parla, Jovem!. Neste dia, já puderam defender suas ideias. 

Projetos

Eloá Lavine Oliveira, de 15 anos, enxergou que é preciso equilibrar as jornadas de trabalho dos pais com a atenção à saúde e a educação dos seus filhos. Nisso, propôs o projeto que batizou de “Mais Saúde nas Escolas”, que sugere levar triagens psicológicas, consultoras psiquiátricas e atendimentos odontológicos às unidades de ensino. 

“Os pais têm escassez de tempo para levarem os jovens ao psicólogo, psiquiatra ou no dentista, principalmente. Então eu quero que os pais vejam que a escola pode sim ser um ambiente muito mais acolhedor”, explica. 

A jovem Caroline Gomes de Souza, de 14 anos, enxergou algo semelhante a partir da dificuldade dos pais dedicarem suas vidas ao sustento de casa e, ao mesmo tempo, atender as demandas dos seus filhos, como levá-los aos serviços de saúde, quando necessário.

Sua proposta, o “Escuta Aí”, prevê a implantação de uma enfermaria escolar com farmácia básica, garantindo que indisposições leves (como dores de cabeça ou cólicas) sejam acompanhadas na própria instituição. “Isso vai ajudar muito as mães que não podem ir buscar o filho, porque trabalham o dia todo”, pontua Caroline.

Já Davi Fernandes Barros, da mesma idade que Caroline, desenvolveu a sensibilidade para olhar para os que mais precisam de suporte no cotidiano, como idosos, crianças e pessoas com deficiência (PCDs). Nesse olhar, propõe o “Inovação Mais Fortaleza“, que cria salas de inovação e cursos de robótica voltados para o desenvolvimento de tecnologias assistivas. 

“É uma responsabilidade muito grande representar a minha escola. Fiquei muito feliz, e minha mãe e minha avó também ficaram felizes por mim. Se a minha lei passar, vai me ajudar a buscar empregos e trazer benefícios reais para o dia a dia das pessoas”, relata o jovem, que planeja seguir carreira em robótica ou marketing.

Por fim, Lucas Renan da Costa, que também tem 14 anos, viu nas experiências de sua mãe e de seu padrasto a necessidade de valorizar os trabalhadores. A sua vivência inspirou o projeto“Sociedade Justa”, que prevê o amparo governamental a trabalhadores em situação de vulnerabilidade ou desemprego por meio de auxílio financeiro e cursos de capacitação nas escolas. 

“Muitos parentes de colegas já sofreram com isso, por isso votaram em mim. Para a minha família, isso está sendo uma oportunidade incrível, que pode ajudar a nossa realidade e a de outras pessoas também. Dá mais vontade de viver e de buscar um trabalho para melhorar a vida”, relata o garoto.