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Mãe que perdeu três filhos transforma luto em fé e reencontra forças na família e no voluntariado

Após enfrentar mortes ainda na maternidade e perder a filha em um acidente, Elizângela encontrou na fé, no amor da família e no trabalho voluntário a força para seguir em frente
Aos 55 anos, Elizângela relembra dores, superações e a força que encontrou no voluntariado. Foto: Arquivo Pessoal

Preparando a salada para um almoço em família, correndo do fogão para a pia e vice-versa, Elizângela Galdencio, aos 55 anos, relata para a filha, Vitoria Galdencio, de 21 anos e autora deste texto, como foi lidar com a perda de três filhos sem desfalecer.

Neste domingo (10), quando é celebrado o Dia das Mães, o Opinião CE traz histórias, relatos e sentimentos que destacam o amor e os relacionamentos envolvendo o maternar e seus desafios.

Seu primeiro filho carregava o nome da primeira criança que veio ao mundo. Abel nasceu em 2000. Ela deu esse nome a ele como referência ao filho de Adão e Eva, aquele que trouxe um sacrifício agradável ao Senhor.

Infelizmente, Abel não viveu tanto quanto o personagem bíblico. Elizângela viu seu bebê nascer morto em um parto normal, por consequência da perda de líquido amniótico, após nove meses de gestação. No entanto, ela não desistiu do sonho de ser mãe. Gabriel, seu segundo filho, nasceu dois anos após o primeiro e recebeu o nome do anjo que anunciou o nascimento de Jesus.

Gabriel já era muito grande para um parto normal. Mesmo assim, os médicos forçaram sua saída com o método de parto a fórceps, que consiste no uso de duas pás para puxar a cabeça da criança pelo canal vaginal. O pequeno não suportou o sofrimento e faleceu após 12 dias.

Após tamanha dor, Maria Elizângela desenvolveu medo da gravidez e quase desistiu do sonho da maternidade. Ela chorou de pânico quando soube que estava grávida novamente, desta vez de uma menina.

A vitória depois da perda

Apesar do temor, ela não desistiu. As lembranças do trauma, porém, permaneceram quando decidiu optar pelo parto cesariano. Felizmente, sua filha Ana Vitória nasceu saudável e o parto ocorreu de forma tranquila. A menina recebeu esse nome por ter sobrevivido a um ventre marcado por perdas, sendo considerada uma verdadeira vitória pela família.

Mãe e filha compartilham uma história de superação construída entre fé e amor. Foto: Arquivo Pessoal

Dois anos depois, Elizângela recebeu o presente da sua segunda e última filha. Lavínya, nome que significa pureza, cresceu como uma menina animada e agitada, completamente diferente da irmã mais velha em aparência e personalidade. Enquanto Vitória demonstrava calma e tranquilidade, Lavínya esbanjava energia, era extrovertida e considerada a alegria da casa.

A dor da perda

Em um dia feliz em família, na Praia do Futuro, em Fortaleza, mais precisamente em 17 de março, a alegria da casa desapareceu em uma barraca com piscina. Após algum tempo, a menina foi encontrada no fundo da piscina de adultos pelo próprio pai, Armando Galdêncio. Maria Elizângela sentiu a dor do luto – que até então era apenas uma lembrança – voltar à tona.

Mesmo diante da tragédia, ela decidiu ser forte pela família. Agarrou-se ao amor do marido e da filha e buscou novos caminhos para seguir vivendo. Em junho de 2012, iniciou trabalho voluntário na Associação Peter Pan, permanecendo por um ano. Em 2013, também atuou no Hospital Albert Sabin.

O amor materno resistiu ao luto e segue presente em cada reencontro familiar. Foto: Arquivo Pessoal

Elizângela afirma que a alegria das crianças e das mães durante as contações de histórias realizadas no voluntariado ajudou a reconstruir sua força emocional.

“Eu não posso parar minha vida por conta do luto, porque tem pessoas que precisam de mim e que ficam felizes pela minha presença”, relata.

Elizângela define a fé em Deus e a crença de que reencontrará os filhos no céu como as bases que sustentam sua caminhada diante da dor. Hoje, quando é celebrado o Dia das Mães, ela finaliza sua salada para um almoço em família enquanto conversa com a única filha entre risadas, memórias e afeto, sem esquecer dos seus anjos Abel, Gabriel e Lavínya.