O Dia das Mães, comemorado neste domingo (10), é o momento em que muitas famílias celebram o amor materno em suas diferentes formas. Para Clareana Costa, de 43 anos, e Verônica Galdencio, de 68 anos, a data ganha um significado ainda mais profundo: representa o privilégio de acompanhar o crescimento dos pequenos Mahina Pietra, de 3 anos, e Bernardo Galdencio, de 1 ano e dois meses, fortalecendo laços que unem mães, avós e bisavós em uma mesma história de afeto.
Aos 43 anos, Clara vive o quarto Dia das Mães como avó. O sentimento, segundo ela, é impossível de explicar completamente. “Todo mundo fala que amor de avó é dobrado, e realmente é dobrado”, resume.
Para ela, a maturidade trouxe um olhar mais leve e experiente sobre o cuidado com as crianças. “É um amor mais descomprometido. A gente não tem tantas obrigações e tanta tensão. Já temos a vivência dos erros e acertos com os filhos, então acabamos tendo mais atenção, mais carinho e mais sabedoria para lidar”, afirma.
A alegria da casa
Os finais de semana na casa da avó já fazem parte da rotina de Pietra e Bernardo. Entre brincadeiras, correria, pedidos para tomar banho e o famoso “menino, vem comer”, Clara descreve os dias ao lado dos netos como um “pequeno furacão”. Apesar do cansaço, a saudade chega poucas horas depois da despedida.
“Quando vão embora, é um alívio porque conseguimos arrumar a casa, mas nem duas horas depois já estamos dizendo que estamos com saudade. Dá trabalho, mas a casa fica silenciosa demais sem eles”, conta emocionada.

Ela destaca que os momentos mais marcantes foram os nascimentos dos netos, especialmente o de Pietra, a primeira da família. Mas também relembra um episódio delicado vivido com Bernardo, ainda bebê, quando precisou acompanhá-lo durante uma internação hospitalar.
“Passei a noite chorando e preocupada. Ver ele quietinho, sem falar muito, deu um desespero muito grande. Ao mesmo tempo, agradeço muito a Deus por ter podido estar lá com ele”, relembra.
Clara também celebra o fortalecimento do vínculo com Pietra ao longo dos anos. Por ser avó paterna, ela tinha receio de não criar uma ligação tão próxima. Hoje, a realidade é outra. “Ela já pede para vir para a casa da avó. Isso aquece demais o coração”, diz.
O privilégio de ser bisavó
A emoção atravessa ainda mais gerações com Verônica Galdencio, mãe de Clara e bisavó das crianças. Para ela, acompanhar o crescimento dos bisnetos é um privilégio raro. “Enquanto muitas mulheres não conseguem nem ser mães, eu sou mãe, avó e bisavó. Sou muito agradecida a Deus por isso”, afirma.
Verônica conta que cada geração trouxe aprendizados diferentes. Avó de Vinícius, Lucas e José Galdencio e bisavó de Pietra e Bernardo, ela acredita que o amor continua o mesmo, mas os desafios mudam com o tempo.
“Cada geração ensina diferente. A gente não somente ensina, mas aprende muito também”, explica.

Ela admite que as diferenças entre as formas de educar podem gerar conflitos entre gerações. “Hoje eles são mais modernos. Tem horas que querem nossa ajuda, mas em outras dizem: ‘não é mais assim, vó’. Então, a gente aprende a ajudar mais no cuidado, na assistência e no amor”, relata.
Mesmo assim, Verônica garante que participar da rotina dos bisnetos é uma das maiores alegrias da vida. Em muitos momentos, ela se pega confundindo o nome de Pietra com o de Clara na infância, como se o tempo insistisse em repetir o amor vivido décadas atrás.
Neste Dia das Mães, as histórias de Clara e Verônica mostram que o amor materno não termina em uma geração. Ele cresce, amadurece e se multiplica nos abraços apertados, nas noites em claro, nos conselhos e na saudade que fica depois que os netos vão embora.
