A Escola Municipal Professor José Círio Pereira Filho, no bairro Siqueira, realiza até sexta-feira (8) uma vivência em sala temática indígena com foco na interculturalidade e na educação antirracista. A iniciativa busca aproximar a comunidade escolar de práticas pedagógicas voltadas à valorização da diversidade.
O projeto Brasil: Território de Vida e Resistência, responsável pela ação, recebeu o Selo Escola Antirracista por três anos consecutivos. A proposta consolida uma abordagem crítica e intercultural, permitindo que estudantes reconheçam o País como espaço marcado por lutas, memórias, culturas e resistências indígenas.
Em março, a Prefeitura de Fortaleza anunciou um pacote de medidas para enfrentar o racismo na Rede Municipal de Ensino. Na mesma ocasião, escolas premiadas com o Selo Escola Antirracista 2025 receberam valores de R$ 20 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil para primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente.
AÇÕES EDUCACIONAIS
A coordenadora de Diversidade e Inclusão da Secretaria Municipal da Educação (SME), Mônica Costa, destaca que a História e a cultura indígena e afro-brasileira fazem parte do currículo durante todo o ano letivo. Períodos como abril e novembro intensificam as atividades, ampliando reflexões, vivências e práticas pedagógicas voltadas à equidade e ao combate ao racismo.
A professora-mestre Márcia Bezerra, indígena do povo Pitaguary, conduz práticas pedagógicas baseadas na interculturalidade. As turmas de 4º ano participaram de pesquisas, rodas de conversa, exibição de vídeos e produção de materiais entre fevereiro e março.
Esse conjunto de atividades resultou na vivência intercultural do Abril Indígena, materializada na exposição temática “Brasil: Território de Vida e Resistência”. A proposta fortaleceu o protagonismo estudantil e ampliou o diálogo sobre identidade e diversidade.
EXPOSIÇÃO CULTURAL
A abertura da sala temática contou com a participação do grupo infantil Ybá Horto, do povo Pitaguary, e do cacique Abias Bezerra, da Aldeia Horto. A programação incluiu grafismo indígena, cânticos tradicionais e a dança do Toré, promovendo contato direto com práticas culturais vivas.
A ambientação reúne fotografias, alimentos tradicionais, tintas naturais e peças de artesanato como cocares, brincos, pulseiras e colares feitos com penas, sementes e ossos. Elementos culturais ampliam a compreensão sobre costumes e saberes ancestrais.
Palavras de origem tupi, técnicas de trançado, objetos de palha, cerâmica, cabaça e madeira, além de representações de animais e plantas medicinais, integram o espaço educativo. O ambiente se consolida como experiência cultural significativa para estudantes e visitantes.
PARTICIPAÇÃO
Cerca de 37 turmas da escola e do Centro de Educação Infantil José Círio já visitaram a exposição. Representantes da Superintendência Escolar, da Célula da Diversidade e Inclusão do Distrito V, docentes, funcionários e familiares participaram da programação.
A mobilização coletiva fortaleceu a construção do conhecimento e contribuiu para a superação de preconceitos. O projeto também reforça o compromisso com a promoção de uma cultura antirracista no ambiente escolar.
