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Incluindo ByteDance, Caucaia já possui cinco data centers confirmados, afirma secretário

Machidovel Trigueiro, titular da pasta de Ciência e Inovação do município, destacou que a gestão já trabalha com a ambiência jurídica e física do Parque Tecnológico há mais de um ano, o que possibilita os investimentos
Foto: Opinião CE

O secretário de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (SETEC) de Caucaia, Machidovel Trigueiro Filho, afirmou, em entrevista ao Opinião CE, que o município da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) já possui quatro data centers confirmados. Além do equipamento da ByteDance, empresa chinesa dona da rede social TikTok, outros quatro deverão ser construídos.

Como frisou o titular da pasta, com exceção do data center do TikTok, os demais ainda não podem ter os nomes revelados, já que estão na fase de negociação.

Conforme Machidovel, o município já está trabalhando com a ambiência jurídica e física do Parque Tecnológico de Caucaia (ParTec) há mais de um ano.

Como já noticiou o Opinião CE, o ParTec foi apresentado a operadores europeus de data centers durante a 20ª edição da Multi Conference on Computer Science and Information Systems (MCCSIS 2026), realizada em Valência, na Espanha, no último mês de julho.

O parque tem como objetivo posicionar a cidade e o Estado como destinos estratégicos para investimentos em data centers, inteligência artificial e computação de alto desempenho.

Necessidade de unificar legislações

O secretário de Caucaia apontou ainda a necessidade de unificar as legislações das agências reguladoras de energia, de conectividade e de proteção de dados, esta última, a ANPD, recentemente criada. Ele afirmou que a agência que trata dos dados, apesar de teoricamente servir para a conectividade, ainda está “perdida”.

“As legislações das agências reguladoras não se encontram. Defendo uma tríade chamada energia, conectividade e dados. Tem que estar uno, a legislação tem que estar una”, disse.

Ele ressaltou haver deficiência em relação ao tipo de regulação. “O operador do sistema vive de suspiros por conta de picos, não só de consumo como de energia. Ele tem que estar em cima do muro, equilibrando. Nós precisamos melhorar muito essa questão de regulamentação sem impedir o desenvolvimento econômico”, afirmou.

O titular da pasta afirmou ser a favor da regulação, mas que, muitas vezes, regulações excessivas podem atrapalhar os investimentos. Ele frisou que, por esse motivo, Caucaia possui instrumentos como o sandbox jurídico, que permite a inovação.

“Para que abram empresas e gerem empregos na região. Regular demais, às vezes, é ruim, mas a falta de regulação pode ser pior. É o que acontece hoje no setor de energia”, apontou.

Parque tecnológico

Machidovel também falou sobre o processo de criação do ParTec em Caucaia. De acordo com ele, quando chegou à gestão municipal, em março de 2025, ainda não havia perspectiva de investimento em data center na cidade. “Ninguém pensava nisso, mas eu sempre pensei que a gente poderia”, explicou.

“O mundo estava mudando. De onde eu estava estudando, eu estava fora do País, ficava claro para mim que, logo, logo, robôs estarão entre nós. Nós estamos em uma revolução tecnológica”, afirmou.

No próximo mês de outubro, a Prefeitura prevê a aprovação de uma lei de incentivo fiscal e da lei do Parque Tecnológico, oficializando a criação do espaço. Conforme o secretário, foi delimitada uma área para que se criasse um ecossistema das empresas que vão investir em Caucaia.

Sobre a preocupação de parte da população em relação ao equipamento da ByteDance que será construído, o titular da pasta apontou que a energia é o que mais preocupa. Ele afirmou que o Brasil e o Ceará ainda não estão preparados para a distribuição de energia para consumo.

“No caso de um data center, ele consome muita energia. (…) Se a gente não cuidar, a gente poderia aumentar a conta de energia”, afirmou.

O secretário frisou, porém, que não acredita que esse será o cenário de Caucaia, já que o Estado possui muita energia, mas ressaltou que o Ceará precisa, por exemplo, concorrer nos próximos leilões de linhas de transmissão para ajudar na distribuição.

Em relação à água, ele afirmou que o que se aponta, atualmente, é um mito para os equipamentos atuais. De acordo com ele, de dois anos para cá, a tecnologia mudou e os data centers são de circuito fechado, segundo ele, sem consumir muita água.