Menu

Diesel mais barato não chega ao transporte e redução não é percebida, diz setor após MP do Governo

Abrati aponta falhas na cadeia de distribuição e diz que, mesmo com subvenção, empresas ainda enfrentam aumento de custos
Entidade cobra transparência e fiscalização na cadeia de combustíveis. Foto: Arquivo/Agência Brasil

A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Interestadual de Passageiros (Abrati) afirmou que, até o momento, não há redução efetiva no preço do diesel percebida pelas empresas do setor, mesmo após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 1.349/2026, nesta quarta-feira (8).

A medida, adotada pelo Governo Federal, institui um regime emergencial de subvenção econômica para reduzir o custo do diesel, considerado essencial para a mobilidade e a atividade econômica. A iniciativa prevê um subsídio de até R$ 1,20 por litro, podendo chegar a R$ 2,00 com acréscimos temporários.

Apesar disso, a entidade destaca que o impacto ainda não chegou à ponta. Segundo a Abrati, o modelo adotado não garante repasse direto ao transportador, o que compromete a efetividade da política.

Redução não chega ao consumidor final

De acordo com a associação, a redução no preço do diesel não é automática nem imediata, pois depende da cadeia de comercialização – formada por importadores, distribuidores e revendedores.

A entidade aponta que esse modelo pode gerar atrasos, distorções e até falhas na transferência do benefício, o que explica a ausência de queda nos preços para o setor. Em alguns casos, inclusive, empresas relatam aumento nos valores praticados.

Medida é temporária e depende de adesão

A MP estabelece que a operacionalização da subvenção depende da habilitação de agentes junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além da adesão dos Estados e do Distrito Federal ao programa.

Esse fator, segundo a Abrati, impacta diretamente o alcance da medida e cria incertezas sobre sua aplicação nas diferentes regiões do País.

Entidade cobra transparência e fiscalização

Apesar das críticas, a associação reconhece a importância da iniciativa para garantir o abastecimento nacional, sobretudo em um cenário de alta nos combustíveis influenciada pelo mercado internacional.

Ainda assim, defende maior transparência na formação dos preços e intensificação da fiscalização para assegurar que o benefício chegue ao consumidor final.

A Abrati também alerta para a falta de informações atualizadas sobre quais Estados aderiram ao programa, o que dificulta a avaliação dos impactos reais da política.

Contexto: pacote para conter alta dos combustíveis

A medida faz parte de um pacote do Governo Federal para conter os efeitos da alta dos combustíveis, agravada pelo cenário internacional. Entre as ações, também está a desoneração temporária de tributos sobre o querosene de aviação (QAV), válida até 31 de maio. No entanto, no caso do diesel, o setor de transporte ainda não percebe alívio nos custos – ponto que mantém pressão sobre tarifas e operação das empresas.