O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu nesta quarta-feira (12), o estabelecimento de cotas de isenção para o aço e o alumínio enviados para os Estados Unidos. Dessa forma, o Brasil poderia exportar determinada quantidade de aço e alumínio sem pagar a íntegra da taxação.
Geraldo Alckmin disse que vai procurar as autoridades estadunidenses para negociar os termos da taxação de 25% sobre as importações impostas pelo presidente Donald Trump. “Sempre é um bom caminho a gente buscar o ganha-ganha”, defendeu Geraldo Alckmin após evento no Palácio do Planalto.
O vice-presidente lembrou que os Estados Unidos têm um superavit de US$ 7,2 bilhões com o Brasil, ou seja, vendem mais bens e serviços que compram. Segundo ele, a taxa de importação final do Brasil para produtos estadunidenses é baixíssima, de 2,7%, já que muitos produtos importados têm alíquota zero, como máquinas e equipamentos.
“Então, nós vamos dialogar para buscar um bom entendimento. Não tem guerra tributária, tem entendimento baseado no interesse público. A taxação não foi contra o Brasil. Então, ela não foi discriminatória. Os Estados Unidos são um importante parceiro comercial do Brasil, não é o maior, o maior é a China, mas é para ele que nós exportamos equipamentos com valor agregado. De outro lado, é o maior investidor no Brasil”, ponderou Geraldo Alckmin.
Durante o primeiro mandato (2017-2020), Donald Trump impôs tarifas sobre o aço e o alumínio, mas depois concedeu cotas de isenção para parceiros, incluindo Canadá, México e Brasil, os principais fornecedores desses produtos para os Estados Unidos. Segundo o vice-presidente, a intenção é tentar manter as cotas como o Brasil tem hoje.
“Isso é do cotidiano. Todo dia, você tem essas questões de alteração tarifária. O caminho é o diálogo e nós vamos procurar o governo norte-americano para buscar a melhor solução“, afirmou Geraldo Alckmin.
IMPACTO NO CEARÁ
O anúncio da tributação em 25% sobre todas as importações de aço e alumínio feitos pelos Estados Unidos terá forte impacto econômico no Ceará. O Estado é o quarto maior produtor de aço do Brasil, que tem como ponto de escoamento o Porto do Pecém.
O Ceará representa cerca de 9,5% da produção total de aço bruto do Brasil. A ArcelorMittal Pecém, unidade da multinacional no Ceará, produz 22% do total da empresa no País. No Pecém é responsável por 100% da produção de aços planos no Nordeste.
RECIPROCIDADE
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, semana passada, que o Brasil pode aplicar a lei da reciprocidade, aumentando as taxas de produtos estadunidenses consumidos pelo Brasil. “O mínimo de decência que merece um governo é utilizar a lei da reciprocidade”, disse em entrevista a rádios de Minas Gerais.
Segundo dados da Administração de Comércio Internacional do governo dos Estados Unidos, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de aço para o país em 2024, perdendo apenas para o Canadá.
Um levantamento do Instituto do Aço Brasil, com base em dados oficiais do Governo Federal, mostra que os Estados Unidos foram o principal destino do aço brasileiro, representando 49% de todo o aço exportado pelo País em 2023.
