O espetáculo O Céu da Língua está em uma turnê pelo Nordeste, passando por todas as capitais. Em Fortaleza, o espetáculo acontece na partir desta quinta-feira (23) até sexta-feira (24), às 19h e 21h30, no Cineteatro São Luiz.
No monólogo cômico “O Céu da Língua”, o artista Gregorio Duvivier usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que a poesia é parte do dia a dia e o assunto é prazeroso e divertido. A direção é da atriz Luciana Paes, que também divide a dramaturgia do espetáculo com Gregorio.
No palco, com cenografia de Dina Salem Levy, figurino de Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente e luz de Ana Luzia de Simoni, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier manipula as projeções exibidas ao fundo da cena.
“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece Gregorio que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário.
A atração ganhou o Prêmio do Humor RJ 2026 nas categorias Texto e Espetáculo, além de ter sido indicado nas categorias de Direção e Performance. Também recebeu indicação ao 36º Prêmio Shell de Teatro na categoria Iluminação e levou o 20º Prêmio APTR de Teatro na categoria Dramaturgia.
Comédia e poesia se misturam
“O Céu da Língua” não é um recital e tampouco o artista declamará Castro Alves, Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia não deixa de ser poética neste “stand-up comedy pegadinha”, como ela bem define.

“O Gregorio simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, aposta a diretora.
De acordo com Luciana Paes, o ator “pega o público distraído e ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado“.
“Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz Luciana, uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato, que estreia na função de diretora teatral.
Brincar com códigos
Gregorio, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa. Assim o protagonista brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por pais e filhos ou casais enamorados.

As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens.
Além de tirar humor de palavras que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”.
Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela, como metáforas usadas no cotidiano:“batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”.
Gregorio Duvivier conquistou o Prêmio Bibi Ferreira 2025 na categoria Melhor Ator em Peça de Teatro, tendo sido indicado nas categorias de Melhor Peça de Teatro, Melhor Direção de Peça de Teatro e Desenho de Luz em Peça de Teatro.
A herança poética de Portugal
Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e homenageia Portugal, o país que emprestou ao Brasil a sua língua para que todos se comunicassem.

Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade e lembra de que a origem de “O Céu da Língua” está relacionada ao espetáculo “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”.
O divertido intercâmbio linguístico colocou no mesmo palco Gregorio e o humorista luso Ricardo Araújo Pereira em improvisações sobre o idioma que os une.
Ítens exclusivos
Na turnê pelo Nordeste, o público também poderá adquirir itens exclusivos da lojinha oficial do espetáculo diretamente no link de vendas dos ingressos pela sympla ou diretamente no teatro antes e depois de cada sessão.

Entre os produtos disponíveis estão o livreto O Céu da Língua, o livro Aos Pés da Letra (Editora Companhia das Letras), ecobag, camisetas nas cores off white e preta, em diferentes tamanhos, versões do Caderno Azul (com e sem pauta) com acabamento em verniz ou dourado acompanhados de lápis.
