O legado de Frei Tito de Alencar Lima será revisitado em uma nova exposição promovida pelo Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS CE). A mostra “Tito: Coração de Estudante” será inaugurada no próximo dia 31 de julho, na Galeria da Liberdade, reunindo fotografias, objetos pessoais e poemas que retratam a trajetória do religioso nascido em Fortaleza, em 1945.
A abertura está marcada para as 16h, na Praça do MIS, seguida de uma visita mediada. Com classificação indicativa de 12 anos, a exposição propõe uma reflexão sobre a vida, a atuação e a memória de Frei Tito, um dos principais símbolos da resistência à ditadura militar no Brasil.
Legado de resistência
Frei Tito assumiu a direção da Juventude Estudantil Católica em 1963 e mudou-se para o Recife. Posteriormente, foi para São Paulo, onde cursou Filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Em outubro de 1968, foi preso durante o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna (SP), passando a ser perseguido pelos órgãos da repressão do regime militar.
Em novembro de 1969, voltou a ser preso, acusado de oferecer apoio ao líder guerrilheiro Carlos Marighella. Durante o período em que esteve sob custódia do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e, posteriormente, da Operação Bandeirantes (Oban), foi submetido a intensas sessões de tortura, incluindo choques elétricos, espancamentos e queimaduras. Os agentes buscavam obter informações sobre militantes e forçá-lo a assinar depoimentos incriminando integrantes da Ordem Dominicana. Diante das agressões, Frei Tito chegou a tentar tirar a própria vida, sendo socorrido em um hospital militar.
Ainda na prisão, escreveu um relato detalhado das torturas sofridas. O documento ganhou repercussão internacional e tornou-se um símbolo da luta pelos direitos humanos durante a ditadura militar brasileira. Em dezembro de 1970, foi incluído na lista de presos políticos libertados em troca do embaixador suíço Giovanni Bucher, sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Banido do Brasil, viveu no Chile, passou pela Itália e estabeleceu-se na França, onde recebeu apoio da Ordem Dominicana.
Mesmo no exílio, Frei Tito permaneceu profundamente marcado pelos traumas das torturas. Em tratamento psiquiátrico, relatava reviver constantemente as agressões sofridas. Em 10 de agosto de 1974, foi encontrado morto nos arredores de Lyon, na França, após cometer suicídio.
Seu corpo retornou ao Brasil em 1983. Na ocasião, uma missa celebrada por Dom Paulo Evaristo Arns reuniu milhares de pessoas e transformou a despedida em um ato de denúncia contra a tortura praticada durante o regime militar. Desde então, a trajetória de Frei Tito inspirou livros, documentários, peças teatrais e outras produções dedicadas à preservação de sua memória e à defesa dos direitos humanos.
Galeria da Liberdade
A Galeria da Liberdade integra o complexo arquitetônico do Palácio da Abolição e é administrada pelo MIS Ceará, equipamento que faz parte da Rede Pública de Espaços e Equipamentos Culturais (Rece), vinculada à Secretaria da Cultura do Ceará (Secult CE) e gerida pelo Instituto Mirante.
A visitação será gratuita e aberta ao público. A Galeria da Liberdade funciona de quarta-feira a sábado, das 10h às 18h às quartas e quintas-feiras, com acesso até as 17h30, e das 13h às 20h às sextas e sábados, com entrada permitida até as 19h30. Grupos com mais de 10 pessoas poderão agendar visitas mediadas pelo e-mail [email protected].
