O empresário cearense Amarílio Macêdo ganhou repercussão no fim de semana após manifestar apoio ao fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. Em vídeo publicado nas redes sociais no fim de semana, o bilionário celebrou a medida como um avanço social e defendeu a importância de garantir mais tempo para a vida pessoal e a convivência familiar. Ao comentar a mudança, classificou a iniciativa como um sinal de “maturidade, seriedade e grandeza”.
A manifestação ocorre após a aprovação da mudança pelo Congresso Nacional, na noite da última quarta-feira (14). Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial e com dois dias de descanso por semana, deve beneficiar pelo menos 254,7 mil trabalhadores no Ceará.
Em 2022, Amarílio Macêdo também subscreveu a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito, manifesto organizado por juristas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) que reuniu mais de 500 mil assinaturas. Naquele ano, em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), Macêdo críticou a polarização política, a desigualdade social e os ataques à democracia, defendendo maior responsabilidade das elites econômicas e políticas na preservação das instituições democráticas.
No artigo, Macêdo defendeu que integrantes das elites econômicas e políticas assumissem responsabilidade na defesa das instituições. Para ele, era necessário se opor “de forma clara aos ataques à democracia para fortalecer a ordem pública nacional e o Estado de Direito constitucional”.
Quem é Amarílio Macêdo?
Formado em Economia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Amarílio Macêdo iniciou a trajetória profissional em 1964, como estagiário da CEMEC – Construções Eletromecânicas S/A. Ao longo da carreira, assumiu funções executivas em diferentes empresas, incluindo a gerência comercial da Cervejaria Astra S/A.
Posteriormente, chegou à vice-presidência da holding J. Macêdo S/A Comércio, Administração e Participações, grupo empresarial com atuação nos setores de alimentos, bebidas, veículos, eletromecânica e agroindústria. Também esteve à frente da direção executiva da J. Macêdo Alimentos S/A, responsável por operações de moagem de trigo no Brasil e em Portugal, além de indústrias de biscoitos e massas alimentícias.
O empresário também presidiu o Sindicato da Indústria do Trigo nos estados do Pará, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
Atuação no empresariado cearense
Amarílio Macêdo teve participação na vida institucional do empresariado cearense. À frente do Centro Industrial do Ceará (CIC), presidiu a entidade em um período marcado, no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980, por debates sobre questões políticas e sociais. O movimento empresarial do CIC ganhou relevância no cenário político estadual e teve entre seus representantes Tasso Jereissati, que presidiu a entidade antes de ser eleito governador do Ceará, em 1986.
Entre 1986 e 1991, Amarílio foi diretor-executivo da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Também recebeu, em 1993, a Medalha do Mérito Industrial da instituição.
Participação em iniciativas de desenvolvimento
O empresário integra conselhos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) e do Instituto Universidade Empresa (UNIEMP). Também participou da coordenação do Pacto de Cooperação, iniciativa que reúne representantes do setor produtivo, universidades, organizações não governamentais, instituições públicas e sindicatos em torno de ações voltadas ao desenvolvimento do Ceará. Ao defender o fim da escala 6×1, Amarílio Macêdo levou o debate sobre a organização da jornada de trabalho para o campo empresarial, destacando os efeitos da mudança sobre o tempo disponível para a família e a vida fora do trabalho.
