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Marco Nanini estreia espetáculo de Samuel Beckett em Fortaleza

Montagem de Fim de Partida reúne Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França em adaptação do clássico do dramaturgo irlandês Samuel Beckett.
Elenco é formado por Guilherme Weber, Helena Ignez, Ary França e Marco Nanini. Foto: Fernando Young

A CAIXA Cultural Fortaleza recebe, entre os dias 8 e 12 e de 15 a 19 de julho, o espetáculo Fim de Partida, adaptação de uma das obras mais emblemáticas do dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989). A montagem traz ao palco um elenco de peso formado por Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França.

Com direção de Rodrigo Portella e produção de Fernando Libonati, a peça revisita um texto escrito na década de 1950, marcado pelas reflexões provocadas pelos impactos da Segunda Guerra Mundial.

Os ingressos estarão disponíveis a partir de 3 de julho, tanto na bilheteria quanto no site da CAIXA Cultural.

Nanini e Guilherme Weber revivem parceria nos palcos

Na trama, Hamm, interpretado por Marco Nanini, e Clov, vivido por Guilherme Weber, mantêm uma relação de dependência física e emocional marcada por conflitos, crueldade e tensão permanente. Presos em um ambiente claustrofóbico, os personagens enfrentam uma existência sem perspectivas, permeada por jogos de poder, repetições e uma espera que parece não ter fim.

Nanini destaca que a obra de Beckett continua desafiando gerações de artistas.

“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite.”

Segundo o ator, o desejo de montar uma obra do dramaturgo já existia quando recebeu de Guilherme Weber o convite para dividirem novamente o palco. A dupla já atuou junta em produções como Os Solitários (2002) e A Morte do Caixeiro Viajante (2004).

Espetáculo propõe diferentes leituras da obra

Para o diretor Rodrigo Portella, Fim de Partida permite diversas interpretações além da relação central entre Hamm e Clov. Segundo ele, uma das leituras possíveis é a política, em que Hamm representa uma figura autoritária sustentada pela lógica da guerra e do poder, enquanto Clov simboliza a submissão a uma estrutura sem sentido. “A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas.”

Portella destaca ainda uma terceira camada de interpretação presente no espetáculo: o metateatro, recurso que leva o público a refletir sobre o próprio fazer teatral e sobre os limites entre ficção e realidade.

Clássico do teatro do absurdo chega a Fortaleza

Considerada uma das principais obras do chamado Teatro do Absurdo, Fim de Partida segue atual ao abordar temas como poder, dependência, isolamento, existência e condição humana. A temporada em Fortaleza integra a circulação nacional da montagem e marca o retorno de Marco Nanini aos palcos cearenses em uma produção que reúne alguns dos principais nomes do teatro brasileiro contemporâneo.