Para que serve um debate? É o momento em que candidatos a cargos eletivos ficam frente a frente para apresentar propostas, confrontar ideias e esclarecer suas diferenças. No debate da Band, porém, sobrou espaço para lavar roupa suja e faltou discussão sobre o país.
Ao eleitor, cabe a difícil tarefa de filtrar o que ouve, extrair as propostas factíveis e avaliar a postura de cada candidato. O comportamento é importante porque revela se o candidato demonstra o equilíbrio necessário para governar a nação.
Quem acompanhou o debate viu um Lula inconformado com o formato, que permitia ao adversário fazer comentários às suas costas. Os dois pareciam participar de um circo, de um show de horrores.
O primeiro debate entre Flávio Bolsonaro e Lula pouco ofereceu aos indecisos e aos 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Serviu, sobretudo, para produzir recortes destinados à internet.
A desordem, a desorganização e a falta de comando marcaram o encontro, que se tornou pobre em conteúdo e rico em ofensas. Em alguns momentos, passou a impressão de briga de bar ou de discussão entre torcedores de futebol.
A expectativa fica para o debate da Globo, previsto para a próxima sexta-feira, 23 de outubro. A emissora terá a oportunidade de coibir os exageros, assegurar o respeito às regras e fazer os candidatos apresentarem propostas para governar o Brasil.
Quem ganhou o debate?
É difícil dizer quem se saiu melhor. O debate produziu momentos tristes para o eleitor, principalmente para os indecisos. A plateia perturbou, prejudicou e atrapalhou o andamento do encontro. Em alguns momentos, as intervenções tiraram a seriedade da discussão e transformaram o debate em um show de humor.
A presença de adversários políticos de Lula, como Sergio Moro e Deltan Dallagnol, parece ter incomodado o presidente. Os dois são personagens centrais da Lava Jato, operação que marcou a trajetória política do petista e o cenário eleitoral de 2018.
A presença desses convidados deu ao debate um ar de viagem no tempo, de volta a 2018, e pareceu contribuir para o clima de intimidação percebido por Lula.
Flávio Bolsonaro se divertiu e concentrou seus ataques em acusações. Lula ficou incomodado com a estratégia do adversário. Experiente, não deveria ter se surpreendido: faz parte da tática de cada candidato tentar conduzir o debate para o terreno que lhe seja mais favorável.
Lula propõe abrir seus dados e os de familiares e desafia Flávio
O ponto alto do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro foi o momento em que o presidente propôs abrir seus dados bancários e fiscais e os de familiares até o terceiro grau. “Vamos ver quem é rico?”, desafiou.
Flávio Bolsonaro pareceu surpreendido e respondeu com a acusação de que Lula receberia dinheiro por fora. A troca de acusações, porém, não substitui a apresentação de documentos e esclarecimentos ao eleitor.
A Presidência da República é coisa séria e exige responsabilidade. A escolha de quem ocupará um cargo de tamanha relevância não pode equivaler à entrega de um cheque em branco. É preciso conhecer as propostas e os compromissos dos candidatos.
Na reta final
A mobilização final da campanha no Ceará está sendo conduzida por lideranças com tarefas divididas. Cid Gomes cuida da articulação com os prefeitos, juntamente com Júnior Mano. Evandro Leitão coordena as ações em Fortaleza.
O presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri, mobiliza a militância em sua região de atuação política, a partir de Granja, e promove grandes eventos.
Camilo e Chagas ao lado de Lula
Quem acompanhou o debate da Band entre Lula e Flávio Bolsonaro pôde observar Camilo Santana e Chagas Vieira ao lado do presidente.
Camilo coordena a campanha ao lado do presidente do PT, Edinho Silva, atuando na articulação política. Chagas Vieira cuida da imagem do presidente, organiza a agenda e analisa pesquisas.
Chagas acredita na vitória: “Estamos iniciando uma recuperação, já empatamos e chegaremos em primeiro”, afirmou.
A audiência do debate da Band
O debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, exibido pela Band no domingo (18), registrou média de 14,9 pontos na Grande São Paulo.
Na internet, a transmissão também alcançou milhões de visualizações. Esse alcance, porém, não permite concluir que o encontro tenha ajudado os indecisos a escolher seu candidato.
Para quem ainda não decidiu o voto, a leitura dos programas de governo e a análise da trajetória de cada candidato continuam sendo caminhos importantes para escolher o próximo presidente do Brasil.
Evandro Leitão intensifica campanha por Lula
Tive acesso a uma pesquisa não registrada sobre a intenção de voto em Lula e Flávio Bolsonaro em Fortaleza. No levantamento, Lula aparece com 64%, e Flávio Bolsonaro com 25%. Evandro Leitão segue nas ruas pedindo votos para Lula.
Alece sem sessões plenárias
Está difícil realizar sessões plenárias na Alece neste momento do calendário eleitoral. O motivo não seria apenas o envolvimento de parlamentares na campanha, mas também o desânimo dos derrotados.
Mais da metade dos 46 deputados estaduais não foi reeleita. Nas últimas sessões, a ausência de parlamentares dificultou a formação de quórum.
A semana dificilmente terá sessões plenárias. A Mesa Diretora terá de atuar de maneira articulada para garantir a votação de projetos importantes, como o Orçamento do Estado do Ceará para 2027.
André Fernandes chama deputados para evento com Flávio e assume a oposição no Ceará
O presidente do PL no Ceará, André Fernandes, reuniu os deputados da oposição eleitos no estado e os seis que foram derrotados e convidou todos para o palanque de Flávio Bolsonaro em Fortaleza, nesta quarta-feira.
André Fernandes disse que são três os propósitos: vencer no domingo, em 2028 e em 2030. Disse mais: se Flávio vencer, os cargos serão ocupados pela oposição real, e não por aliados que estejam dos dois lados.
