Pesquisa do Comitê de Estudos de Limites e Divisas Territoriais do Ceará (Celditec) e pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado (Ipece), ambos da Assembleia Legislativa, concluiu que 87,5% dos moradores da zona de litígio entre o Ceará e o Piauí expressaram preferência por pertencer ao território cearense. Só 12,5% manifestaram preferir o Piauí. Isso significa que um é melhor do que o outro? Não. Ambos estão situados na mesma região, têm padrões culturais muito próximos, dialogam frequentemente em campos econômicos, políticos e sociais, enfrentam demandas igualmente graves e têm problemas com a fome, a seca e a pobreza extremas.
O fato é que há indicadores de atenção social mais efetivos no Ceará, com resultados em níveis mais elevados do que no vizinho. Atendimento de saúde, infraestrutura rodoviária e outros investimentos públicos, geração de emprego e renda e educação costumam contar muito para as comunidades que eventualmente são afetadas por questões como a do território entre os dois estados. A estrutura dos serviços de segurança também representa fator decisivo. Dos entrevistados 96,9% revelaram buscar a polícia ou uma delegacia do Ceará quando há necessidades. Isso, na avaliação dos pesquisados, sugere “uma forte identificação da população com a jurisdição administrativa do Ceará”.
PADIM ELEITORAL
Quando março chegar – e já está bem pertinho -, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará homenageará os irmãos Adauto e Humberto Bezerra e a educadora Violeta Arraes (já falecidos), o ministro da Educação e ex-governador Camilo Santana e o ministro do STJ Teodoro Silva Santos. Nascidos no Cariri, eles serão agraciados na primeira edição da Medalha do Mérito Eleitoral Padre Padre Cícero Romão Batista, criada em janeiro passado como tributo a “personalidades e instituições credoras de reconhecimento junto à Justiça Eleitoral cearense”.
O ENDEREÇO É OUTRO
Os dados apurados pelo estudo da Assembleia não servirão para convencer o governo piauiense a recuar na reivindicação de terras que hoje pertencem ao Ceará, tendo levado o assunto às barras da Justiça. Terão serventia, sim, para o Estado do Ceará tentar fazer valer no STF
a defesa de que é donos do espaço reclamado pelo Piauí.
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Treze municípios cearenses estão envolvidos na área de litígio com o Piauí: Poranga, Croatá, Tianguá, Guaraciaba do Norte, Ipueiras, Carnaubal, Ubajara, Ibiapina, São Benedito, Ipaporanga, Crateús, Viçosa do Ceará e Granja. Até o IBGE e o Exército entraram na querela, cabendo à Arma periciar os limites geográficos. A ação inicial foi impetrada pelo Piauí em 2011, mas a questão se desenrola desde 1920.
QUEM MANDA?
A se manter a dúvida na causa, os eleitores dos municípios abrangidos votarão em outubro próximo em candidatos de um estado correndo o risco de, no futuro, serem governados por políticos de outro. Por sorte, o Ministério Público não deu (ainda) o ar da graça nas discussões.
FAKE NEWS SÃO PECADO
Pastor da Igreja Universal, ex-vereador e ex-deputado estadual e federal, o apresentador de TV bolsonarista Ronaldo Martins arranjou ocupação nova: espalhar fake news nas redes sociais. E tem distribuído vídeo em grupos de mensagens no qual “alerta” para um golpe que estaria em curso contra moradores de condomínios em Fortaleza: mulheres bem-falantes e elegantes estariam ludibriando pessoas para entrar em prédios.
SEGUNDAS INTENÇÕES
Martins não cita um caso concreto sequer nem faz referência a dados oficiais. Também não diz como os “prejudicados” devem agir se forem vítimas do golpe. Simplesmente toca o terror. Atenta, assim, contra o funcionamento da segurança pública e contra a saúde mental de quem tem contato com o vídeo dele. Ronaldo é pré-candidato este ano a uma vaga na Câmara de Fortaleza.
