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Sensacionalismo do Procon fragiliza o comércio

Como faz todo ano, independemente da gestão à qual estiver vinculado, o Procon de Fortaleza serviu ao irresistível...
Foto: Divulgação/CMFor

Como faz todo ano, independemente da gestão à qual estiver vinculado, o Procon de Fortaleza serviu ao irresistível sensacionalismo da parte de mídia local a informação de que o “preço do material escolar pode variar até 763,33%”. Esse tipo de pesquisa tem um fim inescapável: gerar mal-estar entre os consumidores e um clima de desconfiança no comércio. Diz lá que a tal pesquisa foi feita “entre os dias 8 e 11 de janeiro, em oito livrarias e papelarias, localizadas no Centro e no Bairro de Fátima”. E que “aponta variações de (sic) até 763,33%. É o caso do apontador de lápis (com coletor), que foi encontrado de R$ 0,30 a R$ 2,59, no Centro, em lojas localizadas na mesma rua Floriano Peixoto”.

Ocorre que os rudimentos do comércio ensinam que a definição de preços se dá conforme custos do estabelecimento. Além da margem de lucro, o lojista precisa considerar o que gasta com salários, publicidade, aluguel, energia e água e o quanto paga de impostos, entre outras despesas. Não se pode expor os comerciantes, numa espécie de inquisição da carestia, se esses têm compromissos distintos. E se o que vende apontador a R$ 0,30 comprou o produto há seis meses de um fornecedor chinês e o estocou, tendo o outro adquirido o item há duas semanas de fábrica brasileira com preço de atacado distinto? E se o que vende a R$ 0,30 tem três lâmpadas, um empregado e paga aluguel de uma lojinha de 10 metros quadrados, enquanto o outro tem 10 funcionários, ar-condicionado, iluminação projetada e paga alguel de loja de 50 metros quadrados? Antes de servir de radar para o freguês, essa generalização do Procon é muito mais um jeito de fragilizar o comércio do que de preservar a economia popular.

GIRA, GIROU

Dos 22 deputados federais e três senadores do Ceará, só um publicou nota em defesa do bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ), parlamentar que quinta-feira passou por uma caprichada devassa da Polícia Federal nas investigações sobre o 8 de janeiro de 2023. Jordy é apontado como incentivador do ataque à Democracia cometido pelos golpistas. A voz solidária (e solitária) foi do senador Luiz Eduardo Girão (Novo). Nem o deputado André Fernandes (PL), que convocou fanáticos para o golpe de 8.1, se manifestou.

DE BOLSOMINION PARA BOLSOMINION

Escreveu Girão: “CPI DO ABUSO DE AUTORIDADE JÁ! Minha solidariedade ao dep. @carlosjordy, ñ por acaso p/acaso líder da oposição na @camaradosdeputados e +uma vítima da perseguição política da ditadura de toga vigente no Brasil p/omissão do @senadofederal q ñ analisa os pedidos de impeachments” (sic). Após atacar o Judiciário e o Senado, tascou o incabível “Paz & Bem” com que finaliza textos. Para completar, defendeu a inocência do criminoso Daniel Silveira, ex-deputado cassado e preso por ameaçar de morte ministros do STF.

RECORDE

A Assembleia Legislativa do Ceará bateu recorde no ano passado. Foi por meio do Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Estado (Inesp). O órgão publicou 89 livros no ano passado. Sintonizado com a modernidade, reservou parte dos esforços para a edição de 46 digitais. Os outros 43 foram impressos mesmo, à moda antiga, com os velhos papel e tinta.

ABUSO

O hospital Oto Meireles – antes denominado “Gastroclínica” – privatizou na maior cara-dura a calçada na Avenida Santos Dumont. Simplemente colocou guarita e cancela na passagem de pedestres. E agora cobra taxa de quem quer estacionar lá. A sorte do hospital é de que na Santos Dumont não passam o prefeito e nem um secretário sequer, nem mesmo fiscal ou procurador de Justiça. Se passassem, cumpridores que são de suas obrigações, já teriam mandado acabar com aquela bizarra irregularidade.

CHICO NEM SEMPRE É FRANCISCO

O fato é que há circunstâncias diversas a serem analisadas. Bater em Chico e em Francisco com o mesmo pedaço de pau não é – como nunca foi – a medida mais justa. Orientar bem o comerciante e o consumidor, esse sempre carente de acompanhamento e proteção, é, sim, a solução mais adequada. Nem sempre, porém, é o que se vê.