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Em ano eleitoral, redobre a atenção: nem tudo que circula é fato

Em meio à avalanche de desinformação e à proximidade das eleições, compromisso com a verdade e o interesse público se torna linha de defesa contra narrativas distorcidas
Iniciativa já recebeu 64 denúncias desde 2018, incluindo casos de ameaças, perseguições, coação eleitoral e violência física. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em um cenário marcado pela proliferação de fake news e pela disputa intensa de narrativas nas redes sociais, o jornalismo profissional se reafirma como um dos principais pilares de sustentação da democracia. Mais do que nunca, a atividade exige rigor e responsabilidade.

É preciso deixar claro um ponto que muitas vezes é ignorado: o jornalismo não existe para agradar. A prática jornalística, quando feita com seriedade, está ancorada em dois critérios fundamentais. O primeiro é o interesse público. Não se trata apenas do que gera mais engajamento ou repercussão, mas daquilo que impacta a sociedade, que interfere nas regras do jogo coletivo e que, de alguma forma, dialoga com a vida do cidadão.

O segundo critério é ainda mais essencial: a veracidade dos fatos. A informação apurada precisa ser verdadeira, confirmada e sustentada por fontes confiáveis. Se atende a esses dois pilares (interesse público e verdade), ela deve ser publicada, independentemente de agradar ou desagradar.

Naturalmente, nesse processo, há consequências. Personagens públicos, especialmente os atores políticos, podem ser beneficiados ou prejudicados. O leitor, por sua vez, pode concordar ou rejeitar o conteúdo. Esse é um efeito colateral inevitável de uma atividade que não deve se pautar por preferências, mas por fatos.

Em um ambiente cada vez mais polarizado, é fundamental compreender também as diferenças entre os formatos. Notícia não é opinião. Reportagem não é editorial. Cada gênero tem sua função específica dentro do ecossistema da informação, e essa distinção precisa ser preservada para evitar distorções.

O momento atual, especialmente com a proximidade de eleições, exige um pacto mínimo com a realidade. Verificar informações, buscar fontes diversas, ouvir o contraditório e consumir conteúdo com senso crítico são atitudes indispensáveis para quem quer se informar, de fato. A responsabilidade não está apenas nas redações. O cidadão exerce papel central ao decidir como interpretar, compartilhar e utilizar as informações que recebe diariamente.

Em tempos de excesso de conteúdo e escassez de filtros, escolher bem no que acreditar é um ato de cidadania. O bom jornalismo pode incomodar, e é natural que o faça. Mas é justamente essa capacidade de tensionar, questionar e expor a realidade que o torna indispensável.