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Política versus religião: os poderosos que desafiaram os papas 

No século V, na Idade Média, o Papa Gelásio criou a ideia de que o mundo era governado...

No século V, na Idade Média, o Papa Gelásio criou a ideia de que o mundo era governado por duas forças, ou Teoria dos Dois Gládios ou Espadas, representadas pelo Gládio Espiritual sob a autoridade do Papa e o Gládio Temporal sob o poder do rei. Essas duas forças, representando Deus na terra, tiveram grande importância e determinação entre os séculos XI e XIII com as Cruzadas, idealizadas pela igreja Católica com o apoio militar da nobreza para organizarem expedições militares com o propósito de libertar a “Terra Santa”, Jerusalém, do domínio muçulmano. Com a “Guerra Santa” e “Deus Vult”, (Deus o quer), ou seja, a igreja legitimava a violência de forma ideológica, ao afirmar que os cruzados deveriam libertar a “Terra Santa” do satanás, os turcos seldjúcidas, – matando mulheres, crianças, inocentes em nome de Deus. As Cruzadas, em verdade, tinham outros interesses: econômicos, políticos e sociais e, por conseguinte, buscavam resolver problemas internos da Europa Medieval. Essa hierarquia se manteve até o XVI, quando houve o rompimento dessa teoria pelo desentendimento entre o rei Henrique VIII, da Inglaterra, e o Papa Clemente VII. O estopim do rompimento aconteceu quando o Papa se recusou a anular o casamento do monarca com Catarina de Aragão. Diante da recusa, Henrique VIII se afasta da autoridade do Papa, criando a igreja Anglicana e se autoproclamando “Chefe Supremo da igreja de Inglaterra”, em 1534. Em verdade, os interesses determinantes eram outros: político e econômico. Político – o rei queria pôr fim às interferências do Papa em assuntos políticos, e o econômico – o rei queria confiscar terras e propriedades da igreja Católica para fortalecer a coroa. Recentemente, no dia 12 de abril, essa contenda entre o poder temporal, material e o poder espiritual voltou à tona, quando o presidente Donald Trump chamou o sumo pontífice de fraco, acusando-o de defensor da “esquerda radical” e publicando uma foto como se fosse Jesus, o Salvador. Robert Francis Prevost, Leão XIV, primeiro agostiniano a assumir o papado, nasceu em Chicago, EUA. Trump mentiu ao afirmar nas mídias que “Leão só tinha sido eleito para o cargo porque ele era o atual presidente dos EUA”. Apesar do convite do vice-presidente, Leão XIV não visitou a Casa Branca. De fato, Leão passou a tecer severas críticas à política anti-imigração do governo, ao uso da violência contra a Venezuela e à prisão de Nicolás Maduro, além de defender a autonomia política do Canadá e da Groenlândia. A irritação do Sumo Pontífice e o tom da crítica se elevaram com o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, disse: “Jesus não escuta as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo uma passagem bíblica: ‘Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue’. Pete Hegseth, o “secretário de guerra”, que exerce influência direta sobre Trump, é evangélico ultraconservador, carrega no peito tatuagens das Cruzadas e “Deus Vult” no braço e defende abertamente a violência sem perdão aos inimigos. Os EUA se encontram com a economia decadente, precisão de guerras e de riquezas alheias, como sempre. Pois é, assim como as Cruzadas na Idade Média, a Cruzada dos EUA ao atacar o Irã não carrega apenas a ideologia religiosa e ultranacionalista de acabar com as possíveis armas atômicas, mas obviamente tem outras motivações envolvidas – ter o domínio dos pontos estratégicos de interesses geopolíticos, do controle do petróleo e do Estreito de Ormuz, e, por extensão, levar os países ricos europeus à uma nova cruzada contra os inimigos que ameaçam a sua hegemonia econômica como a China. Henrique VIII, rompeu com o Papa e criou a igreja Anglicana, Trump, por outro lado, nega a autoridade do Papa rompendo a hierarquia dos Dois Gládios. O governo e o povo iraniano devem ficar matutando: Como confiar em um presidente que durante as negociações de acordo, nos ataca? Como confiar na palavra e fazer negócios e acordos de paz com quem mete, é acusado em seu próprio país de fraudar bancos e seguradoras, de falsificação de registros comerciais e, ainda é acusado de pedofilia? Como e ter respeito por um líder que desdenha do Sumo Pontífice de sua igreja?