Brasília: Os palanques montados para a campanha eleitoral assombram o eleitor. São ataques pessoais e não propostas. A eleição presidencial não pode ter baixo nível. O alerta é feito por experientes marqueteiros, como Duda Mendonça, que tem seus discípulos fazendo campanhas nos estados e dando consultoria em Brasília.
As pesquisas eleitorais apontam para preocupações dos eleitores por região do país, e não nacionais. É uma novidade. Os candidatos precisam tomar cuidado com os discursos.
É natural a dinâmica do início da jornada até outubro entre candidatos. O governo mostra resultados; a oposição ataca. O ingrediente a mais necessário é encaixar um discurso que mantenha a crítica e mostre saídas, o que não ocorreu até o momento. Mas ainda existe muito tempo.
Ronaldo Caiado troca marqueteiro, distancia-se de Flávio Bolsonaro e quer ser o melhor da oposição
O ruralista Ronaldo Caiado, até aqui, tem tido o melhor desempenho como candidato a presidente. Faz a crítica e joga para o público sua proposta para resolver o problema. É o roteiro correto.
Caiado não esconde seu passado como fundador da UDR, entidade que propõe a violência no campo, mas omite seus atos como dirigente ruralista violento. Caiado amadureceu, sabe que não pode portar um fuzil e dizer quem vive ou quem morre, porque a lei tem o poder e entidades de direitos humanos condenam posturas autoritárias.
A sociedade está acompanhando o início da campanha. Cerca de 42% dos eleitores de direita não decidiram em quem votar. Caiado busca esse eleitor. Sua perspectiva de crescer o fez demitir seu marqueteiro, que defendia cuidados para manter alinhamento com candidatos de direita e extrema direita. Caiado quer ser candidato livre de acordos.
Não adianta atacar Lula; o eleitor o conhece, é preciso ser melhor que ele
Lula segue com o seu roteiro de fazedor de um país mais social e, ao mesmo tempo, desenvolvido, com economia forte, livre, sem intervenção do Estado, como sempre defendeu. Para Lula, o empresário deve ser livre para ganhar muito dinheiro e o Estado cuidar das pessoas. O governo Lula não é socialista, é o que demonstra, e seus adversários não contestam.
Lula é o político ou homem público mais vigiado no Brasil. Cada centavo que gasta é vistoriado e seu Imposto de Renda é o mesmo há 40 anos. O senador Sergio Moro reconheceu seus exageros e deixou a Justiça para não ser condenado pelas suas sentenças que visavam destruir Lula. Moro virou político e ataca o PT, e não Lula.
Caiado e Zema tratam Lula com cuidado. Zema é mais extremado; Caiado é mais cuidadoso, tem olhar mais voltado ao avanço de propostas, principalmente no campo econômico, onde o Brasil precisa de um piloto que olhe mais para o setor.
Deepfakes: falsos vídeos e áudios podem custar tempo perdido no rádio, internet e TV
A inteligência artificial será vigiada por especialistas contratados pelo TSE. O olhar será rigoroso, assim como as sentenças dos membros do tribunal.
A orientação passada no encontro do TSE com dirigentes de partidos é produzir vídeos e peças publicitárias que promovam candidatos usando imagens reais, e não por meio de recursos de inteligência artificial.
A solicitação do Tribunal Superior Eleitoral é possível de ser atendida em parte. O humor na eleição exige recursos capazes de atingir o eleitor, fazendo chegar a mensagem.
A substituição por imagens e áudios irreais não será permitida. O TSE não pretende tirar o brilho ou censurar a criatividade. A preocupação é fazer chegar a verdade ao eleitor.
As mulheres são maioria no eleitorado e minoria na disputa, em eleição com menor número de candidatos
Relação dos candidatos registrados:
• Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Disputa a reeleição, tendo Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice.
• Flávio Bolsonaro (PL) – Senador, concorre tendo Alfredo Gaspar (PL) como vice.
• Romeu Zema (Novo) – Ex-governador de Minas Gerais, com Eduardo Girão (Novo) como vice.
• Ronaldo Caiado (PSD) – Ex-governador de Goiás, tendo Gilberto Kassab (PSD) como vice.
• Augusto Cury (Avante) – Escritor e psiquiatra, compondo chapa com Júlio Delgado (Avante).
• Pablo Marçal (PRTB) – Empresário, com Leonardo Avalanche (PRTB) como vice.
• Renan Santos (Missão) – Ativista político ligado ao MBL, tendo Aroldo Medina (Missão) como vice.
• Clariana Barão (DC) – Advogada, com Fabiana Torquato (DC) como vice.
• Edmilson Costa (PCB) – Economista, tendo Cleusa Santos (PCB) como vice.
• Hertz Dias (PSTU) – Professor e ativista, com Vanessa Portugal (PSTU) como vice.
• Samara Martins (UP) – Coordenadora de movimentos sociais, tendo Raquel Brício (UP) como vice.
• Wilson Grassi (Democrata) – Médico-veterinário pelo partido Democrata (antigo PMB), com Suêd Haidar como vice.
• Rui Costa Pimenta (PCO) – Jornalista, tendo Antônio Carlos Silva (PCO) como vice.
A máquina de votos
13 candidatos disputam a Presidência da República. Outros 20 mil candidatos disputam o Senado, a Câmara Federal e as Assembleias Legislativas. A participação por gênero é de 65% de homens e 35% de mulheres. Outros gêneros representam 0,5% dos candidatos.
No Ceará, são oito candidatos ao governo
No Ceará, estão na disputa pelo Governo do Estado: Elmano de Freitas, candidato à reeleição; Ciro Gomes (PSDB); Danilo Soares (Democrata); Delegado Huggo Leonardo (Missão); Ieri Braga (PCO); Serley Leal (UP); Vera Lúcia (Novo); e Zé Batista (PSTU). Nesta quarta-feira, o TSE define a ordem dos candidatos em todo o país, incluindo os estados. A ordem é importante porque os candidatos podem planejar estratégias para ataques e defesa.
Historiadores denunciam censura a livro dos 200 anos da Câmara Federal
No debate eleitoral, surgiu um fato de censura política que agride a história, na visão dos responsáveis pelo livro que conta a história do Brasil em 200 anos: a Comissão Especial dos 200 Anos do Congresso Nacional decidiu trocar “ditadura” por “governos de generais” e riscar o fechamento do Congresso Nacional. Pior: após debate com historiadores, deputados jogaram o projeto do livro na lata do lixo.
São membros da Comissão Especial dos 200 Anos do Congresso: Lafayette de Andrada (PL-MG), presidente; Aécio Neves (PSDB-MG); Afonso Motta (PDT-RS); Arlindo Chinaglia (PT-SP); Caroline de Toni (PL-SC); Joaquim Passarinho (PL-PA); Laura Carneiro (PSD-RJ); Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP); Mauro Benevides Filho (PSDB-CE); Orlando Silva (PCdoB-SP); Patrus Ananias (PT-MG); Paulo Magalhães (PSD-BA); Roberta Roma (PL-BA); Roseana Sarney (MDB-MA); e Soraya Santos (PL-RJ).
Contexto da polêmica: historiadores e organizadores da coletânea denunciaram que a comissão exigiu a supressão ou alteração de trechos da obra — incluindo a troca do termo “ditadura militar” por “regime militar” e cortes em debates sobre povos indígenas e o marco temporal —, o que levou ao impasse e ao cancelamento da publicação pela Edições Câmara.
A posição da Câmara: a Casa negou a acusação de censura, argumentando que o processo tratou de discussões editoriais de rotina e que a publicação da obra deixou de ser prioridade após o encerramento do ciclo comemorativo do bicentenário.
