Estava eu, feito um kamikaze japonês ansioso, torcendo pela Seleção Canarinho, ainda desacreditada, e temerosa de sofrer mais um baile como o que foi dado pela seleção que tem origem da tribo dos árabes-berberes, a antiga Al-Maghrib, que significa “o Ocidente” e, hoje, o Marrocos. Em verdade, eu nem sabia que eles jogavam tão bem mesmo. Naquela tensão do jogo, após o assustador gol dos nipônicos, ao observar aquelas lindas brasileiras e mulheres de nacionalidades diversas que passavam nas propagandas de outras partidas, para quebrar o gelo, perguntei às mulheres presentes à mesa: “E aí, 90% das mulheres que estão no estádio, torcendo e gritando, entendem pelo menos de futebol?”. Para a minha surpresa, a resposta foi uníssona: “Elas não entendem de coisa nenhuma. Mulher quer é ficar bonita, ficar bem na foto e curtir a festa”. Diante da resposta direta e como não houve discordância, pensei: “E daí! Copa acontece de quatro em quatro anos e futebol também é festa”.
Naquele momento, percebi haver uma contradição entre o que elas haviam respondido e os comentários pontuais, realistas e críticos de Ana Thaís Matos em relação à organização tática, ao desempenho coletivo, individual, psicológico da Canarinho, inclusive pela falta de um cérebro no meio-de-campo, como já tivemos outrora. Visivelmente, os comentários deixaram os experientes Júnior e Denilson acovardados e calados. Ai, não teve jeito, tive que chamar a atenção do mulherio sobre os comentários.
O meu filho percebeu e comentou: “Ela está dizendo muita verdade sobre a seleção. Acho que ela não vai durar muito, a Globo vai demitir”. Após o gol do empate da Canarinho, deu vontade de tomar um gole da gelada, mas, para meu desespero, lá estava à minha frente — a inércia, a falta de talento e criatividade do meio-de-campo, desesperado sem saber para quem passar a bola, que mais parecia um time que nunca havia treinado. Uma garota mais atenta, vendo aquilo tudo, para quebrar o gelo, falou: “Vocês viram o que aquele tal de bolsonarista Paulo Figueiredo disse? Ele falou que as “mulheres votam muito mal”. Pois é, disse-lhe: “Se a mulher vota mal, não sei. Mas vocês decidem a eleição e, por aqui, tem muita mulher que vota em candidato dessa gente. Mas é Copa. Vamos torcer gente”.
Não sei vocês, mas eu estou torcendo também pelos países latino-americanos e africanos. Já chega de colonialismo econômico e cultural, de espoliações e vitórias desses colonizadores brancos em Copas do Mundo. E, por falar em dominadores, os brancos escandinavos noruegueses são descendentes dos guerreiros, comerciantes e piratas Vikings, que por ironia, cruzaram o Atlântico Norte, ainda na Idade Média, chegando a América do Norte, atual EUA e parte do Canadá, países que também são sedes da Copa. Como todos já sabem usando da violência como solução para dominar. Vikings, preparem seus barcos, pois nós, Tupi, já estamos com as nossas Ygaraçu (canoas) preparados para a batalha e para mandar vocês de volta remando para casa com chifre e tudo.
